Projeções da indústria indicam que a Zona Franca de Manaus (ZFM) deve fechar 2025 com o maior faturamento de sua história. Estimativas divulgadas pela Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), pelo Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam) e pela Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) apontam para valores que variam entre R$ 216 bilhões e R$ 227 bilhões, superando o recorde registrado em 2024, quando o Polo Industrial de Manaus (PIM) alcançou R$ 204,3 bilhões.
A projeção mais otimista é da Fieam, que estima um faturamento acima de R$ 227 bilhões, representando crescimento de 11% em relação ao ano anterior. Para o presidente da entidade, Antonio Silva, o desempenho positivo ocorre apesar de um cenário macroeconômico nacional marcado por juros elevados, inflação persistente e desaceleração do crescimento econômico. “Foi um ano de muitos desafios para o Brasil, mas, no Amazonas, o Polo Industrial de Manaus apresentou um desempenho satisfatório, superando obstáculos e mantendo uma trajetória de crescimento”, afirmou.
Setores em destaque
De acordo com os indicadores da Fieam, a maioria dos segmentos industriais do PIM apresenta tendência de crescimento expressivo. Um dos destaques é o setor relojoeiro, que deve alcançar faturamento de R$ 1,8 bilhão em 2025, com alta de 28% em relação a 2024. Entre janeiro e julho deste ano, o subsetor já havia registrado R$ 960,8 milhões em faturamento.
O superintendente da Suframa, Bosco Saraiva, ressaltou a relevância histórica da indústria relojoeira para o polo. “É um dos segmentos mais tradicionais do PIM, consolidado por produzir artigos que competem em qualidade e preço com produtos nacionais e internacionais. Mesmo com o avanço tecnológico, o relógio de pulso segue tendo apelo junto ao consumidor”, destacou.
Outro segmento de forte crescimento é o de Duas Rodas, que deve faturar R$ 45,3 bilhões, com expansão de 24,72%. Também aparecem com desempenho relevante os setores Mecânico (R$ 20,8 bilhões e crescimento de 20,87%), Metalúrgico (mais de R$ 18 bilhões e alta de 15,36%) e Químico (R$ 22,4 bilhões, com aumento de 12%).
Já os subsetores de Eletroeletrônicos e Informática apresentam crescimento mais moderado, de 3,07% e 0,54%, respectivamente. Mesmo assim, a Informática permanece como o maior setor do PIM em faturamento, com R$ 47,5 bilhões, seguida pelo Eletroeletrônico, com R$ 38,25 bilhões.
Desafios e perspectivas
No boletim divulgado pela Fieam, Antonio Silva demonstra otimismo em relação a 2026, destacando a resiliência do modelo Zona Franca de Manaus. Segundo ele, apesar da concorrência global e das rápidas transformações tecnológicas, o polo industrial segue competitivo, embora ainda dependa de maiores investimentos em infraestrutura logística e de transporte.
Entre os principais desafios para o próximo ano, o presidente da Fieam cita os embates com críticos do modelo ZFM e aponta como prioridades a recuperação da BR-319 e a ampliação dos investimentos em infraestrutura para garantir a continuidade do crescimento econômico do Amazonas.
Projeções mais conservadoras
O Cieam apresentou uma estimativa mais conservadora, prevendo faturamento de R$ 216 bilhões em 2025. Ainda assim, o valor supera o recorde anterior. Os números foram divulgados em encontro com a imprensa realizado no dia 12 de dezembro.
Para o presidente do Conselho Superior do Cieam, Luiz Augusto Barreto Rocha, os resultados reforçam a importância da estabilidade institucional. “Quando há segurança jurídica e compromisso com o ambiente de negócios, a indústria responde com desempenho robusto. Nosso desafio é manter esse cenário sólido para que 2026 seja ainda melhor”, afirmou.
Um dos pontos destacados pelo Cieam foi o avanço na aprovação de projetos empresariais pelo Conselho de Desenvolvimento do Estado do Amazonas (Codam), que encerrou o ano com 320 projetos aprovados e R$ 7,89 bilhões em novos investimentos. Já os investimentos aprovados pelo Conselho de Administração da Suframa (CAS) somaram R$ 11,9 bilhões em 2025, alta de 4% em relação ao ano anterior.
Reflexo da economia nacional
A economista Denise Kassama avalia que o desempenho da ZFM reflete a melhora de indicadores econômicos nacionais. “A Zona Franca é muito ligada ao consumo. Quando o brasileiro consegue comprar uma TV, um celular ou uma bicicleta, é sinal de que a renda está circulando. O desemprego em níveis historicamente baixos reforça esse cenário”, afirmou. Segundo ela, mesmo com os desafios da reforma tributária, a preservação dos incentivos fiscais garante um ambiente mais seguro para a continuidade do modelo.
Crescimento projetado para 2026
A Suframa trabalha com uma projeção de faturamento de R$ 225 bilhões para 2025, número próximo ao estimado pela Fieam. Bosco Saraiva classificou o ano como histórico para a Zona Franca de Manaus, especialmente pela segurança jurídica trazida pela regulamentação da reforma tributária. “A tendência é que o crescimento observado em 2025 se mantenha em 2026. Um dos principais motores desse avanço deve ser o setor de eletroeletrônicos, responsável por cerca de um quarto do faturamento total do polo”, afirmou.
Nesse contexto, o presidente da Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros), Jorge Nascimento Júnior, destacou o interesse crescente de investidores estrangeiros. “A reforma tributária e a garantia constitucional da Zona Franca até 2073 trouxeram segurança. Já estamos vendo a chegada de novos investidores e a ampliação de linhas de produtos que devem ser fabricados no pós-reforma”, concluiu.

