sexta-feira, maio 1

Entra em vigor nesta sexta-feira (1º) o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, considerado um dos mais relevantes para o comércio internacional recente. A medida deve impactar diretamente as exportações brasileiras, com a eliminação de tarifas de importação para mais de 80% dos produtos enviados pelo país ao mercado europeu.

De acordo com estimativas da Confederação Nacional da Indústria, mais de 5 mil itens brasileiros passam a entrar na Europa com tarifa zero já nesta fase inicial, incluindo produtos industriais, agrícolas e matérias-primas. A mudança reduz custos, aumenta a competitividade e amplia o acesso das empresas brasileiras a um dos mercados mais exigentes do mundo.

Com o acordo, forma-se uma das maiores áreas de livre comércio global, reunindo mais de 700 milhões de consumidores. A expectativa é que a medida impulsione principalmente a indústria nacional, já que cerca de 93% dos produtos com tarifas zeradas de imediato são bens industriais.

Entre os setores mais beneficiados estão máquinas e equipamentos, alimentos, metalurgia, materiais elétricos e produtos químicos. No segmento de máquinas, por exemplo, quase 96% das exportações brasileiras para a Europa passam a ter acesso sem cobrança de tarifas, favorecendo itens como compressores, bombas industriais e peças mecânicas.

Atualmente, muitos produtos brasileiros enfrentam taxas ao entrar no mercado europeu, o que encarece o preço final e reduz a competitividade. Com a eliminação dessas barreiras, a tendência é de ampliação da presença do Brasil no comércio internacional.

O acordo também é estratégico por ampliar o alcance comercial do país. Hoje, nações com as quais o Brasil mantém acordos representam cerca de 9% das importações globais. Com a inclusão da União Europeia, esse percentual pode ultrapassar 37%, segundo projeções do setor industrial.

Apesar do impacto imediato, a implementação será gradual para alguns produtos considerados sensíveis. Nesses casos, a redução tarifária ocorrerá ao longo de prazos que podem variar entre 10 e 15 anos, podendo chegar a até 30 anos em situações específicas.

A entrada em vigor marca o início de uma nova fase nas relações comerciais entre os blocos. Nos próximos meses, o governo brasileiro deverá regulamentar pontos operacionais, como a distribuição de cotas de exportação. Além disso, entidades empresariais devem acompanhar a execução do acordo para garantir que as empresas aproveitem plenamente as novas oportunidades de mercado.

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