Um atentado terrorista deixou ao menos 15 pessoas mortas e 40 feridas, entre elas dois policiais, neste domingo (14), na praia de Bondi, em Sydney, na Austrália. O ataque aconteceu durante uma celebração do Hanukkah, festival judaico que marca o início da chamada Festa das Luzes.
Segundo a polícia local, dois homens abriram fogo contra o público reunido no local. Um dos suspeitos, de 50 anos, foi morto durante a ação. O outro, um jovem de 24 anos, foi detido pelas autoridades em estado crítico. Até o momento, a polícia não confirmou se o número de vítimas fatais inclui o atirador que morreu.
Durante entrevista coletiva, o comissário da polícia de Nova Gales do Sul, Mal Lanyon, classificou o caso como um “incidente terrorista” e afirmou que as investigações apuram a possível participação de um terceiro envolvido.
Entre as vítimas está o rabino Eli Schlanger, de 41 anos, natural de Londres, segundo informações divulgadas pela imprensa britânica. Um cidadão israelense também morreu no ataque. De acordo com o jornal Jerusalem Post, Arsen Ostrovsky, colaborador do veículo e chefe do escritório do Australia/Israel & Jewish Affairs Council em Sydney, ficou ferido.
O Itamaraty informou que, até o momento, não havia registro de brasileiros entre as vítimas.
Quarenta pessoas foram encaminhadas para diferentes hospitais de Sydney. “O estado de saúde dos feridos, incluindo dois policiais, é grave”, afirmou Lanyon.
O primeiro-ministro de Nova Gales do Sul, Chris Minns, disse que o ataque foi planejado para atingir diretamente a comunidade judaica no primeiro dia do Hanukkah. Imagens divulgadas nas redes sociais mostraram o momento em que um dos atiradores foi desarmado por um homem que reagiu sozinho à ação criminosa.
Segundo autoridades, o homem que conseguiu desarmar o suspeito foi atingido por dois tiros, no braço e na mão, mas se recuperava bem no hospital. Ele tem 43 anos e trabalha como vendedor de frutas.
Após o atentado, a polícia do Reino Unido anunciou que reforçaria a segurança em áreas com presença de comunidades judaicas durante as celebrações do Hanukkah.
O diretor-geral da inteligência australiana (ASIO), Mike Burgess, afirmou que a identidade dos atiradores estava sendo analisada e que não havia, até o momento, indícios concretos de novas ameaças, embora o nível de alerta terrorista no país permanecesse classificado como “provável”.
A polícia informou ainda que um objeto suspeito, possivelmente um artefato explosivo, foi retirado de um veículo estacionado próximo à praia. A área foi isolada para a atuação de equipes especializadas.
O primeiro-ministro da Austrália, Anthony Albanese, disse que as imagens do ataque eram “angustiantes e chocantes” e prestou solidariedade às famílias das vítimas. A ministra das Relações Exteriores, Penny Wong, classificou o atentado como “repugnante” e afirmou que o terrorismo e o antissemitismo não têm lugar no país.
Líderes internacionais também condenaram o ataque, entre eles representantes dos Estados Unidos, da ONU e de Israel, que manifestaram apoio à comunidade judaica australiana.
Ataques a tiros em massa são raros na Austrália desde o endurecimento das leis sobre armas de fogo após o massacre de Port Arthur, em 1996, que matou 35 pessoas e levou a mudanças profundas na legislação do país.


