sexta-feira, agosto 14

O ator Bruno Gagliasso defendeu que o Brasil produza mais filmes sobre o período da ditadura militar (1964-1985). Ele interpreta o líder estudantil Honestino Guimarães no documentário-híbrido Honestino, dirigido por Aurélio Michiles, que estreia nesta quinta-feira (13/08) em 18 cidades brasileiras.

Durante coletiva em Brasília, Gagliasso afirmou que as produções sobre o período ainda são insuficientes e destacou a importância de manter viva a memória histórica do país.

“Nunca vai ser o suficiente. Esse período é também a nossa história”, afirmou.

O ator disse que aceitou o convite para o filme por considerar que Honestino deveria ser mais conhecido pelas novas gerações. O estudante de Geologia da Universidade de Brasília (UnB), que presidiu a União Nacional dos Estudantes (UNE), defendia o ensino público e gratuito e desapareceu aos 26 anos, em 1973.

Gagliasso contou ainda que se emocionou ao ouvir de familiares que sua caracterização estava semelhante à de Honestino. Para ele, conhecer a trajetória do líder estudantil é uma forma de preservar a memória e impedir que sua história seja apagada.

Segundo o produtor Nilson Rodrigues, o Brasil ainda produziu poucas obras de ficção sobre a ditadura em comparação com outros países da América do Sul. Ele citou a Argentina, que teria mais de 100 filmes sobre o período, contra cerca de 30 produções brasileiras.

Filme mistura documentário e ficção

A falta de registros visuais sobre Honestino foi um dos desafios enfrentados pelo diretor Aurélio Michiles. Segundo ele, movimentos estudantis da época evitavam fotografias e filmagens durante assembleias e protestos para proteger os participantes da repressão.

Para reconstruir parte dessa história, o diretor utilizou registros da invasão da UnB por agentes da ditadura, em 1968. O material foi produzido pelo então estudante e cineasta Hermano Penna e mostra a repressão contra alunos e professores.

Com poucas imagens disponíveis, Michiles optou por um formato híbrido, combinando registros documentais com cenas encenadas por atores.

Para Gagliasso, participar da produção também foi uma oportunidade de conhecer uma parte da história brasileira que ele próprio desconhecia. O ator afirmou que deseja que seus filhos também conheçam a trajetória de Honestino Guimarães.

Fonte: Agência Brasil

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