O cardeal Leonardo Ulrich Steiner, arcebispo metropolitano de Manaus desde 2019, anunciou neste domingo (9) que entregou ao Papa Francisco sua carta de renúncia, conforme determina o protocolo da Igreja Católica para bispos que completam 75 anos.
O anúncio foi feito durante uma missa de ação de graças na Catedral Metropolitana de Manaus, marcada por momentos de emoção, homenagens e aplausos dos fiéis. Dom Leonardo celebrou a data agradecendo pela caminhada à frente da arquidiocese e destacou que seguirá à disposição da Igreja enquanto aguarda a decisão do pontífice. “Apresentei a carta ao Papa, como é de obrigação. Agora, vamos aguardar e ver o que vem. Mas quero dizer que sou muito grato a Deus por esse período à frente da arquidiocese e pela colaboração de cada um de vocês”, disse o cardeal, emocionado.
Natural de Santa Catarina, nascido em 1950, Steiner ingressou na Ordem dos Frades Menores em 1972 e foi ordenado padre em 1978, pelo primo, o cardeal Paulo Evaristo Arns. Doutor em Filosofia pelo Pontifício Ateneu Antoniano, em Roma, ele construiu uma trajetória marcada pelo diálogo e pela atuação em causas sociais.
Antes de chegar a Manaus, foi bispo da Prelazia de São Félix do Araguaia (MT), bispo auxiliar de Brasília e secretário-geral da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil). Em 2022, tornou-se o primeiro cardeal da Amazônia brasileira, título concedido pelo Papa Francisco.
Desde então, Dom Leonardo tem sido uma voz ativa em defesa da Amazônia e dos povos indígenas, além de liderar a presidência do Conselho Indigenista Missionário (CIMI) desde 2023.
O Código de Direito Canônico determina que todo bispo, ao completar 75 anos, deve apresentar sua carta de renúncia ao Papa. A decisão final, no entanto, cabe exclusivamente ao pontífice, que pode aceitar o pedido ou solicitar que o bispo permaneça no cargo por mais tempo.
A comunidade católica de Manaus se reuniu em grande número para celebrar o aniversário do cardeal e demonstrar carinho e gratidão por sua dedicação pastoral. Agora, a arquidiocese aguarda a decisão do Papa sobre a permanência ou sucessão de Dom Leonardo, que se consolidou como figura central da Igreja na Amazônia.


