terça-feira, maio 5

A investigação sobre a morte do menino Benício, de 6 anos, ocorrida em novembro de 2025 em um hospital particular de Manaus, foi concluída pela Polícia Civil com a constatação de erro médico. De acordo com o inquérito, a criança morreu após receber uma overdose de adrenalina aplicada de forma incorreta.

Segundo os investigadores, o medicamento, que deveria ter sido administrado por inalação, foi aplicado diretamente na veia procedimento considerado inadequado para o quadro clínico apresentado pelo paciente. A perícia apontou que o erro teve impacto decisivo no agravamento do estado de saúde, tornando o quadro irreversível.

Com base nas conclusões, foram indiciadas a médica responsável pela prescrição, a técnica de enfermagem que aplicou a medicação e dois diretores da unidade hospitalar. A responsabilização inclui falhas no protocolo de segurança e na supervisão dos procedimentos adotados durante o atendimento.

Atendimento e evolução do caso

Benício deu entrada na unidade hospitalar com sintomas considerados leves, como tosse seca, sem indicação inicial de gravidade. Ainda assim, foi prescrita adrenalina intravenosa, medicamento classificado como de alta vigilância e que exige rigor nos protocolos de administração.

A aplicação ocorreu mesmo após questionamentos da mãe da criança sobre o uso do medicamento naquela forma. Pouco tempo depois, o menino apresentou piora súbita e precisou ser encaminhado à sala de emergência, sendo posteriormente internado em unidade de terapia intensiva (UTI).

Apesar dos esforços da equipe médica, Benício morreu cerca de 14 horas após a internação.

Perícia e conduta profissional

O laudo pericial descartou falhas em procedimentos posteriores, como a intubação, e reforçou que o erro inicial na administração da medicação foi determinante para o desfecho.

Durante a investigação, também foram analisadas mensagens no celular da médica responsável pelo atendimento. De acordo com a polícia, conversas indicam que ela realizava atividades pessoais durante o acompanhamento do caso, o que foi interpretado como indício de negligência.

Além disso, a profissional apresentou à Justiça a alegação de que um suposto erro no sistema eletrônico do hospital teria alterado automaticamente a via de administração do medicamento. No entanto, perícia técnica descartou qualquer falha no sistema.

Responsabilização

O inquérito concluiu que houve erro grave na condução do atendimento, além de falhas estruturais nos protocolos de segurança da unidade de saúde. A Polícia Civil encaminhou o caso ao Ministério Público, que deve avaliar as medidas judiciais cabíveis.

O caso gerou forte repercussão e reacendeu o debate sobre a segurança do paciente, protocolos hospitalares e a responsabilidade de profissionais de saúde em situações de atendimento de urgência.

Compartilhar

Comentários fechados.

Exit mobile version