domingo, maio 10

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, viajará neste sábado (9) para as Ilhas Canárias, na Espanha, para acompanhar a operação de evacuação dos passageiros do cruzeiro MV Hondius, afetado por um surto de hantavírus durante uma expedição pelo Atlântico.

A embarcação, que transporta cerca de 150 passageiros e tripulantes de mais de 20 países, deve chegar no domingo (10) à ilha de Tenerife, onde autoridades espanholas e equipes internacionais de saúde organizam um esquema especial de desembarque e repatriação.

Segundo o boletim epidemiológico mais recente da OMS, divulgado nessa sexta-feira (8), já foram registrados oito casos suspeitos da doença, dos quais seis tiveram confirmação laboratorial para o vírus dos Andes (ANDV), única cepa conhecida de hantavírus com capacidade comprovada de transmissão entre humanos.

Entre os infectados estão um casal holandês e uma mulher alemã. Três mortes já foram confirmadas, elevando a taxa de letalidade para 38%, conforme os dados da OMS.

Apesar da gravidade dos casos, a organização afirmou que o risco para a população mundial continua sendo considerado baixo.

A OMS coordena a resposta internacional ao incidente em conjunto com autoridades sanitárias da Espanha e de outros países envolvidos na repatriação dos passageiros.

O governo espanhol informou que Tedros acompanhará os ministros da Saúde e do Interior em Tenerife para supervisionar o dispositivo especial montado para a chegada do navio.

As autoridades alertaram, no entanto, que a operação depende das condições meteorológicas no porto das Canárias.

Segundo o governo regional, o navio terá apenas uma curta janela de ancoragem no domingo, antes da mudança no clima marítimo prevista para segunda-feira. Caso o desembarque não seja concluído dentro desse período, o cruzeiro poderá ser obrigado a deixar a região.

Os Estados Unidos já anunciaram a organização de voos especiais para retirar cidadãos americanos da embarcação. Outros países europeus também preparam operações semelhantes.

Atualmente, quatro pacientes seguem hospitalizados em diferentes partes do mundo. Um deles está internado em estado grave em uma unidade de terapia intensiva em Joanesburgo, na África do Sul. Outros dois permanecem em hospitais nos Países Baixos, enquanto um paciente recebe tratamento em Zurique, na Suíça.

A OMS informou ainda que uma pessoa hospitalizada em Düsseldorf, na Alemanha, apresentou resultado negativo para hantavírus após exames laboratoriais.

Em Singapura, autoridades sanitárias confirmaram que dois passageiros residentes no país também testaram negativo para a doença.

Diversos governos seguem rastreando passageiros, tripulantes e pessoas que tiveram contato com os infectados durante a viagem.

Uma comissária de bordo da companhia aérea KLM, que esteve em contato com uma passageira holandesa falecida, também realizou exames com resultado negativo.

Na Espanha, uma mulher que esteve no mesmo voo da vítima apresentou sintomas compatíveis com hantavírus e foi internada na região de Valência.

Já o Reino Unido monitora um caso suspeito em Tristão da Cunha, remota ilha do Atlântico Sul onde o navio fez escala durante a viagem.

A OMS também acompanha 29 pessoas que desembarcaram anteriormente em Santa Helena, outra ilha do Atlântico, no dia 24 de abril.

Origem provável da infecção

O MV Hondius partiu de Ushuaia, no extremo sul da Argentina, em 1º de abril, para uma expedição transatlântica.

De acordo com a OMS, o primeiro passageiro que morreu apresentou sintomas ainda em 6 de abril, indicando que a infecção provavelmente ocorreu antes do embarque. O período de incubação do hantavírus pode variar entre uma e seis semanas.

O casal holandês infectado havia viajado anteriormente por Chile, Uruguai e Argentina.

Autoridades da província argentina da Terra do Fogo afirmaram nesta sexta-feira que consideram “praticamente nula” a possibilidade de contágio em Ushuaia.

O hantavírus é considerado endêmico em algumas áreas da Argentina, especialmente em regiões andinas, onde são registrados cerca de 30 casos por ano.

Transmitida principalmente por roedores silvestres, a doença pode causar febre hemorrágica e complicações respiratórias graves. Atualmente, não existe vacina nem tratamento específico contra o hantavírus.

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