Mais de 60% da produção será negociada com empresas durante evento em Tefé
Comunidades ribeirinhas assessoradas pelo Instituto de Desenvolvimento Sustentável Comunidades ribeirinhas assessoradas pelo Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá projetam produzir cerca de 630 toneladas de pirarucu de manejo sustentável em 2026. Mais de 60% desse volume estará disponível para negociação durante a XVIII Rodada de Negócios do Pirarucu de Manejo Sustentável, realizada nesta quinta-feira (27), em Tefé, no interior do Amazonas.
O encontro reúne comunidades manejadoras, distribuidores, supermercados, restaurantes e outros compradores interessados em pescado produzido de forma sustentável. A negociação direta também aproxima os grupos de empresas que fornecem serviços e insumos utilizados na atividade, como embarcações, gelo, combustível e materiais de pesca.
Segundo o Instituto Mamirauá, a rodada busca fortalecer relações comerciais de longo prazo e ampliar a autonomia das organizações comunitárias. A atividade é realizada há 18 anos e, nas duas últimas edições, passou a integrar o Projeto Entre Águas Amazônicas, executado pelo instituto, com apoio técnico da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e financiamento do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF).
Para o representante da FAO no Brasil, Jorge Meza, o aumento da procura por alimentos produzidos de forma sustentável representa uma oportunidade para as comunidades amazônicas.
“A crescente demanda por alimentos produzidos de forma sustentável representa uma oportunidade importante para as comunidades amazônicas. Os alimentos aquáticos fornecem pelo menos um quinto da proteína animal consumida por cerca de 3,1 bilhões de pessoas e o setor pesqueiro sustenta mais de 600 milhões de empreendimentos que se constituem em meios de vida de famílias, principalmente rurais, em todo o mundo, segundo o último relatório ‘O Estado Mundial da Pesca e da Aquicultura’ — SOFIA 2026, divulgado pela FAO”, declarou Jorge Meza.
O projeto atua no fortalecimento da gestão dos recursos naturais e na conservação da biodiversidade em áreas protegidas do Amazonas, Pará e Amapá.
“A Rodada de Negócios é muito mais do que um espaço para comercialização da produção anual. É o momento em que aproximamos diretamente as comunidades manejadoras dos compradores, fortalecendo relações comerciais de longo prazo e demonstrando que é possível conciliar conservação da biodiversidade, geração de renda e desenvolvimento sustentável na Amazônia”, afirma Ana Cláudia Gonçalves, coordenadora do Programa de Manejo de Pesca do Instituto Mamirauá.
Manejo recuperou estoques de pirarucu
O manejo sustentável do pirarucu é resultado de mais de 25 anos de trabalho conjunto entre pesquisadores, técnicos e comunidades amazônicas.
Nas áreas assessoradas pelo Instituto Mamirauá e instituições parceiras, a população de pirarucu aumentou cerca de 620% desde o início do programa. A atividade também já gerou mais de R$ 40 milhões em renda para as comunidades envolvidas.
A recuperação dos estoques também aparece no tamanho dos animais capturados. Atualmente, os pirarucus pescados nas áreas manejadas têm comprimento médio de 1,72 metro, com registros de exemplares superiores a 2,40 metros.
A safra de 2026 será comercializada por meio de feiras, da Marca Coletiva Gosto da Amazônia, da Indicação Geográfica Mamirauá e da Rodada de Negócios. Na edição de 2025, o evento reuniu 18 grupos de manejo, 45 comunidades e cerca de 940 manejadores e manejadoras do Médio Solimões.
O modelo estabelece critérios técnicos para a pesca e conta com monitoramento científico e participação das comunidades, garantindo maior controle sobre a origem e a comercialização do pescado.
