O ex-prefeito de Manaus e pré-candidato ao Governo do Amazonas, David Almeida, fez um diagnóstico direto sobre os entraves ao desenvolvimento do estado durante coletiva de imprensa realizada na noite dessa segunda (27/04), no auditório Rio Amazonas do Hotel Intercity, na zona Centro-Sul da capital. Na ocasião, apontou contradições na política ambiental, criticou a paralisação de obras estruturantes e defendeu decisões que viabilizem investimentos estratégicos.
Segundo ele, o Amazonas enfrenta um cenário de estagnação na infraestrutura. “Não se fez uma nova estrada no estado nos últimos anos, e as que existem estão em situação precária”, afirmou, ao destacar que a deficiência da malha viária impacta diretamente o acesso da população do interior a serviços essenciais.
David também questionou o que classificou como incoerência nos critérios ambientais aplicados ao estado. Ao citar a dificuldade para pavimentar rodovias já existentes, criticou a lógica das decisões. “Não é preciso desmatar uma árvore para asfaltar uma estrada que já existe. Ainda assim, somos impedidos, enquanto em outros estados há autorização para avançar. Que lógica é essa?”, disse.
O pré-candidato afirmou que o Amazonas não pode continuar sendo tratado como um território isolado por decisões externas à realidade local. “É muito fácil discutir a Amazônia de longe, sem conhecer o que é viver aqui. Não sabem o que é um carapanã, um meruim, e querem decidir o nosso futuro.”
Ao mesmo tempo, reforçou o papel do estado na preservação ambiental. “O Amazonas tem 96% de sua área coberta por floresta. Nós somos os maiores preservadores do mundo e somos punidos por isso”, afirmou.
Para David, o desafio é equilibrar preservação com desenvolvimento econômico. Ele defendeu um modelo que permita o aproveitamento responsável das potencialidades do estado. “Precisamos explorar com responsabilidade as nossas riquezas. Não podemos abrir mão do futuro do nosso povo”, disse.
O pré-candidato também apontou desequilíbrio na distribuição de recursos públicos. Segundo ele, a arrecadação se concentra em Manaus, mas não retorna de forma proporcional nem para a capital nem para os municípios do interior.
Ao abordar a realidade das cidades fora da região metropolitana, destacou problemas estruturais persistentes. “Mais de 40 municípios não têm água encanada. Ribeirinhos são assaltados por piratas dos rios por falta de presença do Estado. Isso precisa mudar”, afirmou.
Para ele, o Amazonas precisa de decisões firmes e planejamento estratégico. “O estado tem dimensões continentais e exige uma gestão que conheça a realidade de quem vive aqui. O futuro depende das decisões que tomarmos agora”, concluiu.


