segunda-feira, maio 18

Um levantamento inédito divulgado pelo Governo Federal apontou que terras indígenas localizadas em municípios do Amazonas estão entre as áreas de maior vulnerabilidade ao avanço do crime organizado no país. O estudo destaca principalmente os municípios de Tabatinga, Atalaia do Norte, Barcelos e São Gabriel da Cachoeira, regiões onde facções criminosas têm ampliado atuação ligada ao narcotráfico, garimpo ilegal e crimes ambientais.

Os dados fazem parte do Índice de Vulnerabilidade ao Crime Organizado: Territórios Indígenas (IVCO-TI), apresentado nesta segunda-feira (18/05), durante o lançamento do programa “Território Seguro, Amazônia Soberana: Proteção da Amazônia e da Faixa de Fronteira”, promovido pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), em Manaus.

De acordo com o relatório, áreas indígenas localizadas em regiões de fronteira enfrentam maior pressão devido à presença de rotas do tráfico internacional de drogas, pistas de pouso clandestinas e exploração ilegal de recursos naturais. O estudo também alerta para o aumento de ameaças contra lideranças indígenas e o recrutamento de jovens por organizações criminosas.

A secretária nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos (Senad), Marta Machado, explicou que o índice combina informações relacionadas à atuação do crime organizado e indicadores sociais das comunidades indígenas. “O crime organizado tem recrutado muitos jovens indígenas, ameaçado lideranças e ampliado sua presença nos territórios. O levantamento reúne dados sobre apreensões, pistas clandestinas e indicadores sociais que mostram o nível de vulnerabilidade dessas comunidades”, afirmou.

Ao todo, foram analisados 39 indicadores, incluindo degradação ambiental, violência, infraestrutura, educação, saúde, renda, moradia e presença de rotas ilícitas. O estudo aponta que organizações criminosas aproveitam a ausência de serviços públicos e a fragilidade da presença do Estado para expandir atividades ilegais na Amazônia.

Segundo o relatório, mais da metade da população indígena brasileira vive na Amazônia Legal. O documento também informa que, somente em 2024, foram registrados 1.241 casos de violência relacionados à propriedade em territórios indígenas, incluindo invasões de terra e exploração ilegal de recursos naturais.

O índice foi desenvolvido pelo Centro de Estudos sobre Drogas e Desenvolvimento Social Comunitário (Cdesc), em parceria com a Senad, o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

Durante o evento em Manaus, o Ministério da Justiça também divulgou resultados de operações realizadas na Amazônia Legal entre 2023 e 2026. Segundo o governo federal, ações da Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e Força Nacional resultaram na apreensão de 37,8 toneladas de cocaína, além do aumento de 318% na apreensão média anual de ouro ilegal, totalizando 86 quilos.

As operações também destruíram 1.951 dragas utilizadas no garimpo ilegal e cumpriram quase 1.600 mandados de busca e apreensão em áreas investigadas

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