O governo dos Estados Unidos voltou a elevar a pressão sobre seus parceiros comerciais e incluiu o Brasil em uma lista de países que poderão ser alvo de novas tarifas de importação. A proposta foi anunciada pelo Escritório de Comércio dos EUA (USTR), que pretende aplicar uma sobretaxa de 12,5% sobre produtos brasileiros sob a justificativa de supostas falhas no combate ao comércio de mercadorias produzidas com trabalho forçado.
A medida integra uma ampla ofensiva comercial da gestão do presidente Donald Trump, que busca retomar tarifas de emergência derrubadas pela Suprema Corte norte-americana em fevereiro deste ano. A iniciativa atinge 60 países e reforça a estratégia da Casa Branca de utilizar instrumentos econômicos para pressionar governos estrangeiros e fortalecer a indústria americana.
O processo tem como base investigações conduzidas sob a Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, mecanismo que permite ao governo norte-americano adotar medidas de retaliação contra países considerados responsáveis por práticas comerciais prejudiciais aos interesses dos EUA.
Enquanto países como Canadá, México, Reino Unido e integrantes da União Europeia poderão ser submetidos a tarifas adicionais de 10%, o Brasil aparece entre as nações que poderão sofrer uma taxação ainda maior, de 12,5%, ao lado de outros 44 países investigados.
A proposta abre um novo capítulo nas relações comerciais entre Brasília e Washington e pode gerar preocupação entre setores exportadores brasileiros, que acompanham com atenção os possíveis impactos sobre a competitividade dos produtos nacionais no mercado americano.
O Escritório de Comércio dos EUA informou que receberá manifestações públicas sobre a proposta até o dia 6 de julho. Uma audiência pública para discutir as novas tarifas está prevista para ocorrer em 7 de julho, antes da decisão final do governo norte-americano.
Nos bastidores, a medida é vista como mais um movimento da política econômica protecionista defendida por Trump, que tem utilizado tarifas comerciais como ferramenta de negociação e pressão geopolítica em sua agenda internacional.


