sábado, maio 23

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) passará a produzir no Brasil o medicamento cladribina oral, utilizado no tratamento da esclerose múltipla e atualmente distribuído pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa deve reduzir os custos de aquisição da medicação e ampliar o acesso dos pacientes ao tratamento.

Conhecido comercialmente como Mavenclad, o medicamento foi incorporado ao SUS em 2023 para atender pacientes com esclerose múltipla remitente-recorrente altamente ativa, forma da doença caracterizada por surtos frequentes e rápida progressão mesmo com uso de terapias convencionais.

Atualmente, o custo médio do tratamento é estimado em quase R$ 140 mil por paciente ao longo de cinco anos. A expectativa é que cerca de 3,2 mil pessoas com casos mais graves da doença sejam beneficiadas diretamente com a produção nacional do medicamento.

Segundo estimativas, mais de 30 mil brasileiros convivem com a esclerose múltipla do tipo remitente-recorrente, considerada a forma mais comum da doença.

A esclerose múltipla é uma doença neurológica crônica e degenerativa que afeta o cérebro e a medula espinhal. Dependendo da evolução, pode causar limitações severas, como perda de mobilidade, dificuldades cognitivas, cegueira e paralisia.

A cladribina é considerada o primeiro tratamento oral de curta duração com eficácia prolongada no controle da doença, motivo pelo qual integra a Lista de Medicamentos Essenciais da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Estudos recentes apresentados no Congresso Europeu para Tratamento e Investigação em Esclerose Múltipla mostraram resultados positivos em pacientes que utilizaram o medicamento, incluindo redução de lesões neuronais e melhora na capacidade de locomoção.

A produção nacional será realizada por meio de parceria entre o Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos), unidade da Fiocruz, a farmacêutica Merck e a indústria química-farmacêutica Nortec.

A diretora de Farmanguinhos, Silvia Santos, destacou que este será o primeiro medicamento produzido pelo instituto voltado ao tratamento da esclerose múltipla.
“A parceria reafirma o nosso compromisso com o fortalecimento do SUS e com a promoção do acesso a tratamentos inovadores produzidos em território nacional”, afirmou.

Já o presidente da Fiocruz, Mario Moreira, ressaltou a importância estratégica das parcerias para fortalecer a produção nacional de medicamentos de alto custo e garantir sustentabilidade aos programas do SUS.

Além da cladribina, a Fiocruz também mantém outros acordos com a Merck para produção de medicamentos destinados ao tratamento da esclerose múltipla e da esquistossomose infantil.

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