O acesso à educação infantil para crianças de até 3 anos segue em expansão no Brasil. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua 2025, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que 43,3% das crianças dessa faixa etária estavam matriculadas em creches no ano passado, o maior índice da série histórica iniciada em 2016.
Atualmente, cerca de 4,5 milhões de crianças de 0 a 3 anos frequentam creches no país. Em comparação com 2016, quando a taxa de atendimento era de 31,8%, o crescimento foi de aproximadamente 11 pontos percentuais.
Apesar do avanço, o percentual ainda está abaixo da meta de 50% prevista pelo Plano Nacional de Educação (PNE), que deveria ter sido alcançada até 2024. O novo plano educacional estabelece uma meta ainda mais ambiciosa: atender pelo menos 60% das crianças de até 3 anos até 2034.
Especialistas apontam que ampliar o acesso às creches exige mais investimentos, planejamento e apoio técnico aos municípios, responsáveis pela oferta da educação infantil. Além da expansão das vagas, também defendem melhorias na infraestrutura, valorização dos profissionais e garantia da qualidade do atendimento.
Na pré-escola, destinada a crianças de 4 e 5 anos, o cenário é mais positivo. A taxa de atendimento chegou a 96,1% em 2025, aproximando o país da universalização dessa etapa, que é obrigatória por lei.
Mesmo assim, cerca de 219 mil crianças dessa faixa etária ainda permanecem fora da escola.
A pesquisa também evidencia desigualdades no acesso à educação infantil. Crianças de famílias de baixa renda, pretas, pardas e indígenas enfrentam maiores dificuldades para conseguir vagas. Entre os estados, Santa Catarina registra o maior índice de atendimento em creches, com 58,4%, enquanto os menores percentuais estão concentrados na Região Norte. O Amazonas aparece com apenas 20,9% das crianças de 0 a 3 anos matriculadas em creches.
Entre os principais motivos apontados pelas famílias para a não frequência estão a decisão dos próprios responsáveis e a falta de vagas ou de unidades de educação infantil próximas de casa.
Para ampliar o atendimento, o Ministério da Educação mantém o Compromisso Nacional pela Qualidade e Equidade na Educação Infantil, que prevê investimentos superiores a R$ 406 milhões entre 2026 e 2027 para apoiar estados e municípios na criação de novas vagas e na melhoria da qualidade da educação infantil.


