terça-feira, junho 2

Um estudo apresentado no maior congresso de oncologia do mundo, realizado em Chicago, nos Estados Unidos, revelou resultados promissores de um novo medicamento oral para o tratamento do câncer de pâncreas metastático. O remédio, chamado daraxonrasib, demonstrou capacidade de praticamente dobrar a sobrevida de pacientes que já não respondiam à quimioterapia convencional.

Os dados foram divulgados durante a reunião anual da American Society of Clinical Oncology (ASCO), considerada o principal evento científico da área. A pesquisa envolveu cerca de 500 pacientes e é classificada como um estudo clínico de fase 3, etapa considerada decisiva para a aprovação de novos tratamentos.

De acordo com os resultados, pacientes tratados com o daraxonrasib alcançaram uma sobrevida mediana de 13,2 meses, enquanto aqueles que receberam quimioterapia viveram, em média, 6,6 meses. O estudo também apontou redução de 60% no risco de morte e aumento significativo no tempo de controle da doença.

Outro dado que chamou a atenção dos pesquisadores foi o índice reduzido de efeitos colaterais graves. Apenas 1,2% dos pacientes precisaram interromper o tratamento devido a reações adversas, contra 11,2% entre os que receberam quimioterapia.

Especialistas destacam que o avanço é considerado histórico devido à dificuldade de tratar o câncer de pâncreas, um dos tumores mais agressivos e com menor taxa de sobrevida. A doença costuma ser diagnosticada em estágios avançados e apresenta elevada resistência aos tratamentos disponíveis.

O medicamento atua sobre mutações da proteína RAS, presente em mais de 90% dos casos de câncer de pâncreas. Durante décadas, essa alteração genética foi considerada um dos maiores desafios da oncologia por ser extremamente difícil de bloquear com medicamentos.

Com os resultados positivos, a empresa responsável pelo desenvolvimento do daraxonrasib deve solicitar a aprovação do tratamento junto à agência reguladora dos Estados Unidos (FDA). No Brasil, o medicamento ainda precisará passar por avaliação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) antes de poder ser disponibilizado aos pacientes.

Especialistas avaliam que a descoberta representa um avanço importante na busca por tratamentos mais eficazes para uma das doenças mais letais da oncologia e pode inaugurar uma nova etapa no combate ao câncer de pâncreas.

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