quarta-feira, abril 1

Nesta quarta-feira (1º), a médica Cláudia Lima Gusmão Cacho foi oficializada como primeira mulher na história a assumir o posto de general no Exército. Durante a solenidade, em Brasília, ela recebeu a espada e o bastão de comando. Emocianada, a pernambucana, com quase 30 anos de carreira, na Força Terrestre, destacou a importância da nomeação e como isso vai ser um marco para todas as mulheres.

” Me sinto muita reconhecida, muita gratidão. Foi uma trajetória que foi acontecendo aos poucos. Cumpri a missão desde o incício e isso é uma mensagem para todas as mulheres, que possam acreditar nelas, pois todas são capazaes de assumir qualquer cargo. Enfim, é uma vitória. Responsabilidade e competência não tem gênero”, afirmou Claudia, que vai assumir a direção do Hospital Militar de Área de Brasília (HMAB).

O ministro da Defesa , José Múcio, ressaltou que a promoção é o reflexo de mudanças recentes nas Forças Armadas, como a criação do serviço militar feminino em 2026. “Agora, nossa expectativa é que a presença feminina cresça nos próximos anos e dessa forma o Brasil poderá ver mais mulheres no Alto Comando do Exército”, completou.

Carreira

Natural de Recife, em Pernambuco, a Coronel Claudia ingressou no Exército em 30 de janeiro de 1996 como oficial temporária, no então 42º Batalhão de Infantaria Motorizada, sediado em Goiânia (GO). Foi aprovada no Concurso de Admissão para a Escola de Saúde do Exército, concluindo o Curso de Formação de Oficiais Médicos em 1998.

Ao longo de quase três décadas de serviço, construiu uma sólida trajetória na área de Saúde Operacional e Hospitalar, destacando-se pelo desempenho técnico e pela capacidade de liderança em funções de comando e assessoramento.

Dentre as diversas funções exercidas, destacam-se: chefe do Escalão de Saúde do Comando da 1ª Região Militar, no Rio de Janeiro; diretora do Hospital de Guarnição de Natal, no Rio Grande do Norte; e diretora do Hospital Militar de Área de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul.

As mulheres no Exército

A presença feminina no Exército Brasileiro possui uma trajetória histórica marcante, que remonta a Maria Quitéria de Jesus Medeiros, heroína da Guerra da Independência de 1823. Desde então, o papel das mulheres nas Forças Armadas tem se expandido de forma consistente.

Durante a Segunda Guerra Mundial, enfermeiras voluntárias desempenharam um papel essencial, contribuindo diretamente para os esforços militares. Mais recentemente, em 1992, 52 mulheres ingressaram no Quadro Complementar de Oficiais por meio de concurso público. A partir de 1997, a participação feminina se consolidou ainda mais, com a formação de engenheiras, médicas, dentistas e farmacêuticas militares pelo Instituto Militar de Engenharia (IME) e pela Escola de Saúde do Exército.

Desde 2016, o Exército Brasileiro ampliou as oportunidades para o público feminino ao permitir o ingresso de mulheres na linha de ensino militar bélico. A medida passou a contemplar vagas tanto nos Cursos de Formação de Sargentos quanto na Escola Preparatória de Cadetes do Exército (EsPCEx), marco significativo na trajetória de  igualdade de oportunidades e do fortalecimento da Força. 

Em 2025, o Exército Brasileiro promoveu, pela primeira vez, mulheres à graduação de Subtenente, marco que simbolizou a consolidação da presença feminina no topo da carreira das praças na Força. Elas faziam parte da turma pioneira de 2002, que formou 16 mulheres e 4 homens como terceiros-sargentos.

Atualmente, o Exército se prepara para um novo marco histórico: as primeiras mulheres soldados estão prestes a iniciar o Serviço Militar. Em 2025, mais de 33.720 mulheres se alistaram em todo o território nacional, dessas, 1.010 incorporarão às fileiras do Exército no dia 2 de março de 2026, dando prosseguimento no aumento da presença feminina na Força Terrestre.

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