quarta-feira, julho 22

Começou a valer nesta quarta-feira (22/07) a tarifa adicional de 25% imposta pelo governo de Donald Trump sobre produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos. A medida afeta cerca de 20% das exportações do Brasil para o mercado norte-americano, com impacto estimado entre US$ 7,2 bilhões e US$ 11 bilhões, segundo cálculos da Apex-Brasil e da Amcham Brasil.

Para minimizar os efeitos do chamado “tarifaço”, o governo federal anunciou a retomada de um programa de apoio aos setores atingidos, com oferta de crédito para capital de giro, investimentos e incentivo à busca de novos mercados. Também está em análise a flexibilização temporária de regras tributárias para empresas exportadoras.

A Apex-Brasil informou ainda que lançará, em agosto, um plano de R$ 130 milhões para ampliar a presença dos produtos brasileiros em mercados como União Europeia, Sudeste Asiático e Ásia Central.

Entre os cerca de 2,3 mil produtos atingidos pela nova tarifa estão itens dos setores de eletroeletrônicos, máquinas e equipamentos, autopeças e calçados. Aproximadamente 700 produtos ficaram isentos da cobrança, número superior ao previsto inicialmente durante as negociações.

Os estados de São Paulo e Santa Catarina concentram mais da metade dos impactos da medida. São Paulo responde por 41,6% do valor das exportações afetadas, enquanto Santa Catarina é o estado proporcionalmente mais atingido, com 68% das vendas aos EUA sujeitas à tarifa.

A taxação foi baseada em investigação do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que apontou supostas práticas comerciais desleais do Brasil em temas como Pix, regulação de redes sociais, desmatamento, etanol, combate à corrupção, propriedade intelectual e acordos comerciais.

O governo brasileiro contesta as justificativas, afirmando que a medida tem motivação política e que as exigências dos negociadores norte-americanos incluíam abertura ampla do mercado brasileiro sem contrapartidas.

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