domingo, julho 19

As novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros devem provocar impactos indiretos na Zona Franca de Manaus (ZFM), segundo avaliação de representantes do setor produtivo do Amazonas. Embora o efeito direto sobre o Polo Industrial seja considerado limitado, entidades alertam para possíveis reflexos na economia, como a alta do dólar, aumento dos custos de produção e pressão sobre a cadeia de suprimentos.

O governo norte-americano anunciou uma sobretaxa de 25% para diversos produtos brasileiros, mas manteve uma lista de exceções que contempla cerca de 2,1 mil itens, incluindo produtos agrícolas e componentes utilizados pela indústria aeronáutica.

Dados da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação (Sedecti) mostram que a relação comercial entre a Zona Franca e os Estados Unidos é marcada por um volume muito maior de importações do que de exportações. Até junho deste ano, o Polo Industrial importou aproximadamente US$ 625 milhões em produtos norte-americanos, enquanto exportou cerca de US$ 35,3 milhões.

Diante desse cenário, a secretaria avalia que a medida deve ter impacto direto reduzido sobre a atividade econômica da Zona Franca, já que a maior parte da produção das indústrias instaladas em Manaus é destinada ao mercado interno.

Apesar disso, o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), Antonio Silva, destaca que a valorização do dólar pode elevar o custo de matérias-primas e componentes importados, afetando a competitividade das empresas. Segundo ele, a intensidade dos impactos dependerá das medidas que venham a ser adotadas pelos governos brasileiro e norte-americano nos próximos meses.

A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Amazonas (Fecomércio-AM) também avalia que a elevação das tarifas pode provocar efeitos sobre diversos setores da economia, influenciando custos de produção, preços ao consumidor e até o nível de emprego. A entidade defende a busca por estratégias que reduzam os impactos e preservem a atividade econômica.

A Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) informou que acompanha a evolução do cenário, mas considera prematuro estimar os efeitos da medida. Segundo o órgão, os impactos dependerão da regulamentação definitiva das tarifas, da lista final de produtos atingidos e das eventuais negociações entre Brasil e Estados Unidos.

Mesmo com expectativa de impacto direto limitado, especialistas ressaltam que empresas integradas às cadeias globais de fornecimento poderão sentir reflexos da reorganização do comércio internacional e das oscilações cambiais, fatores que podem influenciar custos, investimentos e planejamento industrial nos próximos meses.

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