Além de ser alvo recente de ações militares dos Estados Unidos com o objetivo de enfraquecer o governo de Nicolás Maduro, a Venezuela enfrenta há anos os impactos de sanções econômicas impostas por Washington, conhecidas como Medidas Coercitivas Unilaterais. Especialistas e relatórios da Organização das Nações Unidas (ONU) apontam que esses bloqueios tiveram papel central no colapso econômico do país.
Segundo estudos, cercos econômicos prolongados vêm sendo utilizados como instrumento de política externa para pressionar ou provocar mudanças de regime, estratégia aplicada também em países como o Irã. A economista e socióloga Juliane Furno, professora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), afirma que o objetivo das sanções é gerar descontentamento social e “asfixiar experiências políticas fora do controle das potências imperialistas”.
Detentora das maiores reservas de petróleo do mundo, a Venezuela passou a sofrer sanções sob o argumento de defesa da democracia, dos direitos humanos e de combate ao narcotráfico. O bloqueio financeiro e comercial afetou diretamente a indústria petrolífera, dificultou o refinanciamento da dívida, restringiu transações internacionais e resultou no congelamento de ativos no exterior, alguns deles transferidos ao controle da oposição.
Países como Reino Unido e Portugal também aderiram ao bloqueio. O Banco Central da Inglaterra reteve 31 toneladas de ouro venezuelano, avaliadas em cerca de US$ 1,2 bilhão. Além disso, os Estados Unidos passaram a tratar como suspeitas todas as transações ligadas ao país, levando instituições financeiras internacionais a interromper relações com Caracas.
Outro impacto relevante foi a retenção dos dividendos da Citgo, principal filial da estatal PdVSA no exterior. Em 2025, a empresa foi liquidada pela Justiça norte-americana para pagamento de credores internacionais, medida classificada pelo governo venezuelano como “roubo”.
Para Juliane Furno, a crise venezuelana resulta da combinação entre a queda abrupta do preço do petróleo e o endurecimento das sanções. “Mais de 95% das receitas de exportação do país vêm do petróleo. Em 2014, o barril sofreu uma queda de quase 70%, o que explica o recuo do PIB e o início do desabastecimento”, afirmou.
As sanções, segundo a economista, agravaram o cenário ao dificultar importações e afastar empresas e países de relações comerciais com a Venezuela. Dados do economista Jeffrey Sachs indicam que a retração do setor petrolífero saltou de 11,5% em 2017 para 30,1% em 2018, primeiro ano após o bloqueio financeiro, resultando em perda estimada de US$ 8,4 bilhões em divisas essenciais para as importações.
Fonte: Agência Brasil

