A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro do medicamento glofitamabe (Columvi®) para o tratamento de adultos com Linfoma Difuso de Grandes Células B (LDGCB), um dos tipos mais agressivos de câncer do sangue. A nova terapia é indicada para pacientes cuja doença voltou após o tratamento ou não respondeu às terapias anteriores.
Desenvolvido pela farmacêutica Roche, o medicamento representa uma nova opção para pessoas que já passaram pela primeira linha de tratamento e não podem realizar transplante autólogo de células-tronco, além de pacientes em fases mais avançadas da doença.
Terapia reduz risco de morte
A aprovação da Anvisa foi baseada nos resultados do estudo internacional de fase III STARGLO, que avaliou a eficácia do medicamento em combinação com quimioterapia.
Os dados mostraram uma redução de 41% no risco de morte em comparação ao tratamento convencional. Além disso, 50,3% dos pacientes tratados com o novo esquema alcançaram remissão completa da doença, enquanto no grupo que recebeu a terapia padrão esse índice foi de 22%.
O estudo também apontou uma redução de 63% no risco de progressão do câncer, reforçando os benefícios do tratamento a longo prazo.
Como funciona o medicamento
O glofitamabe pertence à classe dos anticorpos biespecíficos, uma tecnologia desenvolvida para estimular o próprio sistema imunológico a combater as células cancerígenas.
O medicamento atua conectando as células de defesa do organismo, conhecidas como células T, às células do linfoma. Essa ligação facilita o reconhecimento e a destruição das células doentes pelo sistema imunológico.
Segundo especialistas, essa estratégia oferece uma resposta mais direcionada contra o tumor e amplia as chances de controle da doença.
Tratamento dura cerca de oito meses
O medicamento é administrado por infusão intravenosa, em ambiente ambulatorial, sem necessidade de internação hospitalar.
O protocolo prevê 12 ciclos de tratamento, com duração aproximada de 8,3 meses. Após esse período, o paciente encerra a terapia, podendo permanecer sem necessidade de medicação, desde que a resposta ao tratamento seja satisfatória.
Doença afeta cerca de 4 mil brasileiros por ano
O Linfoma Difuso de Grandes Células B é o subtipo mais frequente entre os linfomas não Hodgkin e corresponde a aproximadamente um terço dos casos da doença.
Estimativas apontam que cerca de 4 mil brasileiros recebem esse diagnóstico anualmente. Embora muitos pacientes respondam bem ao tratamento inicial, até 40% apresentam recidiva ou tornam-se resistentes às terapias disponíveis, cenário em que as opções de tratamento costumam ser mais limitadas.
Com a aprovação do glofitamabe, especialistas avaliam que pacientes com poucas alternativas terapêuticas passam a contar com uma nova opção de tratamento, especialmente aqueles que não têm indicação para terapias celulares avançadas, como o CAR-T.


