Passados quatro meses da morte do menino Benício Xavier, de apenas 6 anos, a família voltou a cobrar, nesta quinta-feira (2), a conclusão das investigações sobre o caso. Em coletiva de imprensa, os pais e advogados criticaram a demora na emissão de laudos periciais e o adiamento do relatório final da Polícia Civil.
Segundo os representantes da família, o inquérito ainda depende de um documento fundamental: o laudo do Instituto Médico Legal (IML), que deve esclarecer se a causa da morte está diretamente relacionada à aplicação de adrenalina durante o atendimento médico. Sem esse resultado, o caso não pode avançar para eventual denúncia por parte do Ministério Público.
A investigação foi prorrogada por mais 45 dias a pedido da polícia, medida considerada legal, mas que tem causado revolta na família. “Existe uma família que sofre todos os dias. Essa demora prolonga ainda mais a dor e a sensação de injustiça”, afirmou o advogado Paulo Feitoza.
Além da espera pelo laudo, os advogados relataram dificuldades para acessar integralmente os autos do processo, o que, segundo eles, compromete a atuação jurídica e a busca por esclarecimentos.
Suspeita de erro médico
A morte de Benício ocorreu após atendimento no Hospital Santa Júlia, em Manaus. A família aponta um possível erro na prescrição de adrenalina pela médica responsável pelo caso, o que teria agravado o quadro clínico da criança.
Os advogados afirmam que irão solicitar ao Conselho Regional de Medicina a cassação definitiva do registro profissional da médica. Segundo eles, houve negligência no atendimento, inclusive com indícios de que a profissional não estava totalmente dedicada ao caso no momento crítico.
A médica segue em liberdade, mas está afastada de suas funções. A defesa dela, por outro lado, questiona a condução das investigações e pediu o afastamento do delegado responsável, alegando possível parcialidade.
Falhas estruturais e responsabilidade do hospital
Para a família, a responsabilidade pela morte não se limita à conduta individual da médica. O hospital também é alvo de críticas por supostas falhas estruturais e demora no atendimento.
De acordo com os advogados, houve um intervalo de cerca de três horas até que a criança fosse encaminhada para a UTI, o que pode ter sido determinante para o desfecho. Eles também questionam a capacidade da unidade de saúde em lidar com emergências desse tipo.
Outro ponto levantado diz respeito aos procedimentos após a morte. Mesmo sendo considerada suspeita, a liberação do corpo ocorreu sem envio imediato ao IML. O corpo foi preparado com formol, e a família precisou interromper o velório posteriormente para a realização de exames, situação que, segundo os advogados, pode ter prejudicado a coleta de provas. “O que buscamos não é vingança, mas justiça. Queremos mostrar que houve falhas graves que poderiam ter sido evitadas”, declarou o pai de Benício, Bruno de Freitas.
Família pede respostas
Enquanto o laudo pericial não é oficialmente apresentado e o relatório final segue pendente, a família afirma que continuará pressionando por celeridade e transparência.
A expectativa é de que, com a conclusão dessa etapa, o caso avance para responsabilização dos envolvidos, tanto na esfera criminal quanto administrativa.


