quarta-feira, junho 10

Pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), em parceria com cientistas da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Fiocruz Amazônia e de uma instituição italiana, identificaram compostos naturais com potencial para combater o vírus Zika por meio do uso de nanotecnologia biodegradável.

O estudo revelou que substâncias extraídas de plantas presentes na biodiversidade amazônica conseguiram inibir a replicação do vírus em células humanas infectadas e ainda auxiliar na modulação da resposta imunológica do organismo. Os resultados foram publicados na revista científica Biomedicine & Pharmacotherapy.

A pesquisa analisou o óleo essencial da espécie Piper alatipetiolatum, conhecida como Pau de Angola, e a Zerumbona, composto obtido do gengibre-amargo (Zingiber zerumbet). Os bioativos foram incorporados a nanopartículas biodegradáveis, tecnologia que potencializa a entrega das substâncias às células infectadas.

Segundo o pesquisador Gemilson Soares Pontes, do Laboratório de Virologia e Imunologia do Inpa, o trabalho busca explorar o potencial da biodiversidade amazônica na busca por novas alternativas terapêuticas para arboviroses.
“O objetivo é compreender como esses compostos atuam contra o vírus e ampliar o conhecimento científico para futuras aplicações em tratamentos mais avançados”, destacou.

A utilização de nanopartículas biodegradáveis foi um dos diferenciais da pesquisa. De acordo com os cientistas, o nanoencapsulamento aumenta a biodisponibilidade dos compostos naturais, tornando sua ação antiviral mais eficiente.

O estudo integra o projeto Nanoarbo, iniciado em 2022, que investiga o uso de compostos bioativos nanoencapsulados no combate a arboviroses. A iniciativa conta com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) e do Ministério das Relações Exteriores e da Cooperação Internacional da Itália.

O Zika ganhou destaque mundial após os surtos registrados entre 2015 e 2016, quando a doença foi associada a casos de microcefalia em recém-nascidos e à síndrome de Guillain-Barré. Atualmente, não existe antiviral específico aprovado para o tratamento da infecção.

Os pesquisadores destacam que os resultados representam um avanço promissor diante da expansão das arboviroses, cenário que pode ser agravado pelas mudanças climáticas. A próxima etapa será ampliar os estudos para outras doenças transmitidas por mosquitos, como dengue, chikungunya e mayaro, além de avançar para testes pré-clínicos mais robustos.

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