O Amazonas se despede, neste domingo (16/11), de uma de suas vozes mais importantes na defesa da cultura popular. Daniel Salles, compositor, escritor e pesquisador reconhecido nacionalmente, morreu aos 59 anos, em Manaus. A causa da morte não foi divulgada.
Figura essencial na preservação da memória do carnaval amazonense, Daniel alcançou projeção com o livro “É Tempo de Sambar”, obra que se tornou referência acadêmica e jornalística para quem estuda a trajetória das escolas de samba da capital. O pesquisador registrou histórias, personagens e episódios que marcaram décadas de desfiles. Pela sensibilidade e profundidade de seu trabalho, ficou conhecido como o “Lamartine Babo do Amazonas”.
Além do samba, Daniel também deixou contribuições no esporte, compondo hinos de clubes tradicionais do estado, como América-AM, Manaus FC, Amazonas FC e Princesa do Solimões músicas que se tornaram parte da identidade de cada agremiação.
Embora tenha colaborado com diversas escolas de samba, sua relação com a Sem Compromisso tinha um significado especial. Para a escola, ele criou sambas marcantes, especialmente nos carnavais de 1994 e 1999. Em 2025, seu trabalho foi reconhecido com o “Troféu Agnaldo do Samba”, que homenageia personalidades que ajudaram a construir a festa no Amazonas.
Amigos, artistas e pesquisadores lamentaram a perda e ressaltaram seu legado. Daniel era lembrado pela inteligência, gentileza e memória impressionante, capaz de narrar com riqueza de detalhes fatos da cultura popular, do futebol local, da imprensa esportiva e das crônicas da Manaus antiga.
Sua partida deixa uma lacuna na cultura do estado, mas sua obra continua viva nas páginas que escreveu, nos sambas que compôs e na história que ajudou a preservar.

