segunda-feira, agosto 3

O ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, afirmou nesta segunda-feira (3/8) que uma campanha coordenada de desinformação nas redes sociais contribuiu para a onda migratória registrada em Ceuta, enclave espanhol no norte da África. Segundo o chanceler, a ação teria sido impulsionada pela chamada “internacional reacionária”, que espalhou informações falsas sobre as regras de imigração da União Europeia.

Em entrevista à RTVE, Albares explicou que a desinformação distorceu uma decisão do Supremo Tribunal da Espanha, que proibiu deportações sumárias de imigrantes que chegam ao país por via marítima. De acordo com ele, conteúdos falsos passaram a afirmar que qualquer pessoa poderia entrar na Espanha sem risco de deportação, incentivando milhares de pessoas, principalmente em Marrocos, a tentar atravessar a fronteira.

O ministro defendeu maior monitoramento das redes sociais e o combate à disseminação de notícias falsas, classificando a desinformação como o principal fator por trás do movimento migratório sem precedentes. Ele também pediu mais solidariedade da União Europeia, destacando que Ceuta e Melilla são as únicas cidades do bloco com fronteira terrestre direta com a África.

Durante a entrevista, Albares criticou a Itália por declarações que defendem a exclusão da Espanha do Espaço Schengen, área de livre circulação entre países europeus.

A crise migratória também ganhou repercussão internacional. O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, responsabilizou as políticas migratórias espanholas por favorecerem a imigração ilegal em massa para a Europa.

Outro episódio de tensão ocorreu após o embaixador de Israel na ONU, Danny Danon, classificar Ceuta e Melilla como “enclaves coloniais na África”. A encarregada de Negócios de Israel na Espanha, Dana Erlich, afirmou posteriormente que a declaração não representa a posição oficial do governo israelense.

A Espanha vem acumulando divergências diplomáticas com Estados Unidos e Israel por suas críticas à ofensiva militar contra o Irã e pela posição de Madri em relação às ações israelenses nos territórios palestinos.

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