O furacão Melissa, que alcançou a categoria 5 no Atlântico com ventos de até 300 km/h, deve provocar reflexos indiretos no clima do Amazonas e em outros estados da Região Norte nos próximos dias. Embora o sistema não deva atingir o Brasil diretamente, meteorologistas alertam que ele poderá reforçar a instabilidade atmosférica, aumentando a ocorrência de chuvas intensas, ventos fortes e risco de alagamentos.
De acordo com informações do Canal Rural, o fenômeno está associado ao aquecimento anômalo do Atlântico Tropical e à atuação da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) faixa de umidade que influencia o regime de chuvas na região amazônica. Essa combinação favorece o aumento da umidade e potencializa a formação de tempestades.
No Amazonas e Pará, a previsão é de pancadas de chuva mais fortes e frequentes, o que pode provocar alagamentos em áreas urbanas e comunidades ribeirinhas. Em Roraima e Amapá, o impacto deve ser sentido com ventos intensos e ressaca no litoral, especialmente nas proximidades da foz do Rio Amazonas.
Especialistas explicam que a soma entre o Atlântico mais quente e a influência do fenômeno La Niña, em curso no Pacífico, está contribuindo para o aumento da umidade e da instabilidade sobre a região Norte.
Possíveis impactos no estado
Agricultura: produtores devem estar atentos às janelas de plantio e colheita, que podem ser afetadas pelas chuvas persistentes e pela dificuldade de escoamento em estradas rurais.
Energia e infraestrutura: há risco de interrupções pontuais no fornecimento de energia elétrica devido às rajadas e tempestades isoladas.
Transporte fluvial: o mar agitado e a ressaca no extremo Norte podem comprometer a navegação de pequenas embarcações.
Destruição no Caribe
Enquanto o Brasil sente apenas os efeitos indiretos, o Caribe enfrenta o impacto direto do furacão. O Melissa tocou a costa de Cuba na quarta-feira (29), com ventos de 195 km/h, após causar mortes e destruição na Jamaica. Portos e aeroportos foram fechados, e milhares de pessoas precisaram ser evacuadas.
Imagens registradas por “caçadores de furacões” da NOAA mostram o olho do Melissa com rara nitidez, revelando a força do sistema, uma parede de nuvens com tempestades violentas e ventos capazes de mudar de direção em questão de segundos.


