A educação escolar indígena em Manaus registrou avanços significativos em 2025, com a ampliação de ações interculturais, o fortalecimento do reconhecimento identitário entre estudantes e a expansão de práticas bilíngues na rede municipal. As iniciativas, coordenadas pela Secretaria Municipal de Educação (Semed), reforçam o compromisso da gestão em valorizar saberes tradicionais e promover uma educação alinhada às realidades dos povos indígenas da capital.
Em 2025, a área registrou um crescimento significativo no número de estudantes autodeclarados indígenas, que chegou a 1.254, resultado das mobilizações comunitárias e do fortalecimento das ações de autodeclaração, estimulando o reconhecimento identitário dentro das escolas.
“Os resultados que alcançamos em 2025 mostram que a educação escolar indígena em Manaus vive um momento de fortalecimento real. Ao ampliar ações, apoiar a autodeclaração e valorizar as línguas e culturas tradicionais, estamos garantindo que cada estudante indígena seja reconhecido e respeitado em sua identidade. Esse trabalho não é apenas pedagógico; é um compromisso com a história, com a ancestralidade e com o direito de cada criança e jovem de aprender sem abrir mão de quem são. A educação intercultural que estamos construindo junto às comunidades é um legado que seguirá transformando a rede nos próximos anos”, analisou o secretário municipal de Educação, Júnior Mar.

Ações
Entre as iniciativas de maior destaque no ano, o “Dia D da Interculturalidade” alcançou 227 escolas, envolveu 33.362 alunos e incentivou a autodeclaração de 1.266 estudantes, ampliando o diálogo sobre diversidade cultural e fortalecendo a valorização das identidades indígenas.
Outro evento foi a “5ª Exposição da Educação Escolar Indígena”, com aproximadamente 180 participantes, entre professores das quatro escolas indígenas da rede e representantes dos 20 Espaços de Estudo de Língua Materna, que apresentaram práticas pedagógicas, registros culturais e projetos desenvolvidos ao longo do ano.
Já a “13ª Mostra Pedagógica dos Professores Indígenas”, realizada em conjunto com a “3ª Roda de Conversa com Anciões”, reuniu quase 200 participantes e promoveu o intercâmbio entre gerações, reforçando a importância dos saberes tradicionais na construção de uma educação bilíngue e culturalmente significativa.

Formação e assessoria
A formação continuada também avançou com ações voltadas ao ensino e revitalização das línguas tucano e nhengatu, envolvendo 23 professores e subsidiando a elaboração do novo “Guia de Acolhimento ao Aluno Indígena”, que orienta as escolas na recepção e inclusão dos estudantes.
Ao longo de 2025, a GEEI intensificou o acompanhamento técnico às unidades, garantindo assessorias pedagógicas em todas as escolas previstas e fortalecendo o diálogo com gestores, professores e comunidades indígenas. As ações interculturais também se ampliaram com atividades em parceria com convidados de Itacoatiara e da Argentina, promovendo trocas metodológicas e culturais que enriqueceram o trabalho pedagógico.
Para a gerente da Educação Escolar Indígena, Eneida Afonso, os resultados representam um marco na consolidação da política indígena no município. “2025 foi um ano histórico para a educação escolar indígena em Manaus. Avançamos no reconhecimento identitário, fortalecemos as práticas interculturais e ampliamos a presença dos povos indígenas na rede. Esse balanço mostra que estamos construindo uma educação que respeita, valoriza e dá voz às tradições e saberes dos nossos estudantes”, afirmou.

