Manaus foi selecionada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) para integrar um estudo nacional que vai subsidiar a avaliação da incorporação de uma injeção semestral de prevenção ao HIV no Sistema Único de Saúde (SUS). A confirmação foi feita pela instituição na sexta-feira (16/01). O medicamento utilizado será o lenacapavir, desenvolvido pela farmacêutica Gilead Sciences.
Ao todo, sete cidades brasileiras participam da pesquisa: Manaus, São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Florianópolis, Campinas (SP) e Nova Iguaçu (RJ). O objetivo do estudo é analisar a viabilidade, a efetividade e os impactos da adoção da nova tecnologia de prevenção no sistema público de saúde.
O lenacapavir teve o uso aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) na última segunda-feira (12) como profilaxia pré-exposição (PrEP) contra o HIV-1. O fármaco se destaca pela alta eficácia e pelo intervalo ampliado entre as doses, sendo administrado por via subcutânea apenas duas vezes ao ano.
Segundo a Anvisa, o medicamento poderá ser utilizado por adultos e adolescentes a partir de 12 anos, com peso mínimo de 35 quilos, que estejam em situação de risco para a infecção pelo vírus. Antes do início do uso, é obrigatória a realização de teste com resultado negativo para HIV-1.
A Fiocruz informou que as doses do lenacapavir já foram disponibilizadas pela fabricante. No entanto, o início das aplicações ainda depende da chegada ao Brasil de agulhas específicas necessárias para a administração do medicamento.
Cenário do HIV em Manaus
A inclusão de Manaus no estudo ocorre em um contexto de números expressivos da infecção na capital amazonense. Em 2025, foram registrados 1.298 novos casos de HIV em adultos no município. Desse total, 867 notificações ocorreram entre pessoas com idades de 20 a 39 anos, sendo 75,4% dos casos entre homens. No mesmo período, foram notificados 445 novos casos de Aids e 183 óbitos relacionados à doença.
Em 2024, os dados também chamaram atenção: Manaus contabilizou 1.756 novos casos de HIV em adultos, além de 546 novos diagnósticos de Aids e 244 mortes.
Para especialistas, a participação da capital amazonense no estudo representa um passo importante para ampliar as estratégias de prevenção, especialmente em regiões com alta incidência da infecção. A expectativa é que, após a conclusão da pesquisa, o Ministério da Saúde tenha subsídios técnicos para decidir sobre a incorporação da injeção semestral de PrEP ao SUS, ampliando as opções de prevenção disponíveis à população.

