Manaus registrou um aumento de 28,6% no volume de chuvas nos quatro primeiros meses de 2026 em comparação com o mesmo período do ano passado. Os dados são do Laboratório de Modelagem do Sistema Climático Terrestre da Universidade do Estado do Amazonas (LabClim-UEA), que aponta um acumulado de 1.464 milímetros de chuva entre janeiro e abril deste ano.
O volume representa 209 milímetros acima da média climatológica esperada para o período e 326 milímetros a mais do que o registrado nos primeiros quatro meses de 2025, quando a capital acumulou 1.138 milímetros de chuva e apresentou déficit de 117 milímetros abaixo do normal.
De acordo com o meteorologista do LabClim-UEA, Leonardo Vergasta, o comportamento climático deste ano foi marcado por uma combinação de fatores atmosféricos que favoreceram a formação de chuvas intensas sobre a região amazônica.
Janeiro de 2026 entrou para a série histórica como o mês mais chuvoso já registrado em Manaus, com acumulado de 482 milímetros, quase 60% acima da média para o período e praticamente o dobro do registrado em janeiro de 2025. Fevereiro também apresentou elevados índices pluviométricos, impulsionados pela atuação do fenômeno La Niña e pelo aumento da umidade vinda do Oceano Atlântico.
Segundo o especialista, em março as chuvas ficaram próximas da média climatológica, enquanto abril registrou redução nos acumulados. Mesmo assim, maio já apresenta índices elevados antes mesmo do encerramento do mês.
Vergasta explicou que a dinâmica climática da Amazônia é influenciada pela atuação de grandes sistemas atmosféricos, como as Células de Hadley e Walker, responsáveis pelo transporte de calor e umidade na atmosfera. Alterações nesses sistemas podem provocar mudanças significativas nos volumes de chuva e impactar diretamente o comportamento dos rios da região.
Em 2025, por exemplo, estados como Amazonas, Acre e Rondônia registraram baixos volumes de chuva no início do ano devido à atuação da Célula de Walker, que dificultou a formação de nuvens e contribuiu para níveis preocupantes nos rios amazônicos. Já em 2026, o fortalecimento do La Niña e o aumento do transporte de umidade favoreceram chuvas mais frequentes e intensas sobre Manaus.
Conforme o 9º Boletim Hidroclimático Sazonal do Amazonas, divulgado pelo LabClim-UEA, a previsão é de que maio termine com chuvas acima da média em parte do Amazonas e em outros estados da Amazônia Legal. Para junho, a tendência é de normalização das chuvas em grande parte da bacia amazônica, com exceção do setor noroeste da região, onde ainda podem ocorrer precipitações acima da média.

