O Ministério da Saúde pretende incorporar ao Sistema Único de Saúde (SUS) uma nova modalidade de profilaxia pré-exposição (PrEP) para prevenção do HIV. O medicamento cabotegravir, de aplicação injetável, poderá ser oferecido na rede pública ainda este ano, caso receba parecer favorável da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec).
O cabotegravir atua impedindo a replicação do vírus e tem como principal diferencial a aplicação a cada dois meses, oferecendo proteção prolongada contra a infecção pelo HIV.
Segundo o Ministério da Saúde, o pedido de incorporação será encaminhado à Conitec, responsável por avaliar a eficácia, a segurança e o custo-benefício de novas tecnologias antes de recomendar sua adoção pelo SUS. A decisão final sobre a inclusão cabe ao próprio ministério.
De acordo com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, o governo negocia com a farmacêutica responsável pela produção do medicamento os valores e a quantidade de doses que poderão ser adquiridas. A expectativa é que o preço permita a ampliação do acesso ao tratamento preventivo na rede pública.
Medicamento de longa duração
Atualmente, o SUS já disponibiliza a PrEP na forma de comprimidos de uso diário. A versão injetável é apontada como uma alternativa que pode aumentar a adesão ao tratamento, já que elimina a necessidade do uso contínuo de medicamentos.
Estudos realizados no Brasil indicam que a maioria das pessoas participantes prefere a aplicação injetável. Em uma pesquisa conduzida pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), 83% dos voluntários optaram pelo novo método, e 94% compareceram às unidades de saúde para receber as doses dentro do prazo recomendado, mantendo a proteção contra o HIV durante todo o acompanhamento.
Outro levantamento apresentado pelas empresas responsáveis pelo desenvolvimento do medicamento apontou uma taxa anual de infecção de apenas 0,1% entre as pessoas que utilizaram o cabotegravir.
Lenacapavir segue fora das negociações
O Ministério da Saúde também informou que avaliou a possibilidade de incorporar o lenacapavir, medicamento que oferece proteção por até seis meses. No entanto, segundo o governo, o preço apresentado pela fabricante foi considerado incompatível com a realidade do sistema público brasileiro.
Apesar de o Brasil ter participado dos estudos clínicos do medicamento, o país não foi incluído no acordo internacional que permite a produção de versões genéricas para diversas nações de baixa e média renda.
Caso o cabotegravir seja aprovado pela Conitec e incorporado ao SUS, a nova estratégia deverá ampliar as opções de prevenção ao HIV e fortalecer as políticas públicas de enfrentamento à infecção no Brasil.


