quinta-feira, julho 16

O jornalista Renato Machado, um dos nomes mais respeitados do telejornalismo brasileiro, morreu na manhã desta quinta-feira (16/07), aos 83 anos, na Clínica São Vicente, na Gávea, zona sul do Rio de Janeiro. A causa da morte não foi divulgada.

Com mais de quatro décadas de atuação na TV Globo, Renato Machado marcou gerações de telespectadores à frente de telejornais como Bom Dia Brasil, Jornal da Globo, RJTV e Jornal Nacional. Também se destacou como correspondente internacional e repórter especial, cobrindo alguns dos acontecimentos mais relevantes da história recente.

Entre 1996 e 2010, comandou o Bom Dia Brasil, período em que participou da reformulação do telejornal ao lado de Leilane Neubarth e, posteriormente, de Renata Vasconcellos. O novo formato apostou em maior interação entre os apresentadores, entradas ao vivo e ampliação da participação de comentaristas e repórteres.

Trajetória no jornalismo

Renato Machado iniciou a carreira em 1969 como repórter do Jornal do Brasil. Em 1982, ingressou na TV Globo e teve como uma das primeiras grandes coberturas a Guerra das Malvinas.

No ano seguinte, assumiu o posto de correspondente em Londres, de onde acompanhou acontecimentos de repercussão internacional, como o acidente nuclear de Chernobyl e os atentados terroristas em Paris, ambos em 1986.

Ao retornar ao Brasil, em 1988, passou a atuar como repórter especial. Em 1990, deixou temporariamente a Globo para trabalhar na TV Manchete, onde cobriu a Guerra do Golfo. No ano seguinte, voltou à emissora e participou da cobertura de fatos marcantes da história do país, entre eles o processo de impeachment do então presidente Fernando Collor e a morte do piloto Ayrton Senna.

Correspondente internacional

Em 2011, Renato Machado retornou a Londres como correspondente internacional da TV Globo. Durante esse período, acompanhou eventos de grande repercussão mundial, como o ataque à redação do jornal francês Charlie Hebdo, a crise econômica na Grécia e produziu reportagens especiais sobre diferentes regiões da Europa.

Apaixonado por vinhos, também apresentou séries voltadas à gastronomia e à cultura, incluindo uma reportagem na região da Provença, na França, dedicada à tradição vinícola local.

Em 2016, voltou ao Brasil para atuar como repórter especial do Globo Repórter. Um dos trabalhos de maior destaque foi a reportagem A arte como passaporte, que retratou como a música e a dança transformaram a vida de crianças e famílias em situação de vulnerabilidade social. A produção foi indicada ao Emmy Internacional na categoria Atualidade.

Legado

Reconhecido pela elegância, credibilidade e profundo conhecimento da profissão, Renato Machado tornou-se uma das principais referências do telejornalismo brasileiro, inspirando diferentes gerações de jornalistas.

Em depoimento ao projeto Memória Globo, definiu o telejornalismo como um aprendizado permanente.

“Para ser telejornalista é necessário um acúmulo de conhecimento. É uma troca. Um universo de aprendizado que, a cada dia, você vê que erra”, afirmou.

Renato Machado deixou a TV Globo em novembro de 2021, encerrando uma trajetória marcada pela cobertura de grandes acontecimentos nacionais e internacionais e por uma contribuição decisiva para a evolução do telejornalismo brasileiro.

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