A menos de um mês do início da COP-30, Manaus se tornou o ponto de encontro de mais de 80 pesquisadores do Brasil, Finlândia, Noruega e Suécia. O grupo participa do evento “Conectando saberes para a ciência com impacto na Amazônia – Diálogo nórdico-brasileiro rumo à COP-30 e além”, que começou quarta-feira (22/10) e segue até quinta (23/10), no auditório Deputado Belarmino Lins, na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam).
O encontro é promovido com apoio do Governo do Amazonas, por meio da Fapeam (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas), em parceria com o Consulado da Finlândia, as Embaixadas da Suécia e da Noruega, a Iniciativa Amazônia+10, a Fapesp e o Nordic Embassy Cooperation Programme (NEP).
O objetivo central é promover cooperação científica e cocriação responsável e inclusiva, aproximando instituições, pesquisadores e comunidades locais para gerar conhecimento e soluções que fortaleçam o desenvolvimento sustentável na Amazônia.
Durante a abertura, a diretora-presidente da Fapeam, Márcia Perales Mendes Silva, destacou a importância do evento para o fortalecimento de novas parcerias internacionais. “Estamos recebendo representantes de embaixadas e instituições dos países nórdicos para socializarmos as ações em ciência, tecnologia e inovação voltadas para a Amazônia. É uma oportunidade de construir conexões e diálogos que gerem resultados conjuntos no futuro”, afirmou.
Márcia Perales também lembrou o desafio de promover o bem-estar das populações amazônidas. “O Amazonas preserva 97% de sua floresta, mas é fundamental garantir qualidade de vida para quem vive sob a copa das árvores, comunidades tradicionais, ribeirinhos, pescadores e quilombolas”, ressaltou.
O secretário-executivo da Iniciativa Amazônia+10, Rafael Andery, reforçou que a troca de saberes é essencial para que a ciência caminhe junto com os conhecimentos tradicionais. “Queremos que os diálogos entre pesquisadores e comunidades se transformem em projetos concretos e parcerias duradouras com outros países”, disse.
Para Johanna Kivimäki, conselheira de Educação Superior e Ciência do Consulado da Finlândia em São Paulo, o encontro reflete valores comuns entre os países participantes. “Falamos de igualdade, natureza e clima. Esses temas estão no coração dos valores nórdicos e também do Brasil. Este evento fortalece a colaboração entre nossas nações”, afirmou.
O conselheiro Patrick Reurink, do Team Norway na Embaixada da Noruega, destacou que o país tem a Amazônia como prioridade em sua política ambiental. “A Noruega mantém cooperação estratégica com o Brasil nas áreas de clima, biodiversidade e floresta, por meio de iniciativas como a Norway’s International Climate and Forest Initiative (NICFI)”, explicou.
A programação de abertura incluiu palestras que ressaltaram o protagonismo dos povos originários na conservação da Amazônia. O antropólogo João Paulo Lima Barreto, da etnia Tukano e pesquisador da Ufam, apresentou a conferência “O sistema de conhecimento indígena frente aos desafios do desequilíbrio do mundo terrestre”.
“Habitamos este território há mais de dois mil anos, mantendo-o intacto. Agora queremos participar diretamente das discussões sobre as crises climáticas, porque elas nos afetam e precisamos buscar soluções juntos”, afirmou.
A pesquisadora Hanna Guttorm, da Universidade de Helsinque, também abordou a “indigenização da academia” e a importância de valorizar os saberes tradicionais. “Ainda há tempo de aprender e praticar o respeito aos povos originários e à natureza. Esse é um caminho essencial para enfrentar as crises globais”, refletiu.
Ao longo dos dois dias, os participantes se dividem em grupos de trabalho temáticos, que discutem desafios e soluções relacionados à crise climática, biodiversidade, políticas públicas e negócios sustentáveis.
As sessões incluem a participação de representantes de instituições de fomento como Finep, CNPq, Fapesp, Confap, Consecti, e conselhos de pesquisa da Finlândia, Noruega e Suécia, além da Delegação da União Europeia no Brasil.
Os grupos são orientados a elaborar propostas conjuntas, que serão apresentadas em plenária, com o objetivo de fortalecer o impacto das pesquisas na formulação de políticas públicas e na promoção de economias sustentáveis na região.
Sobre a Iniciativa Amazônia+10
O programa Amazônia+10 é uma parceria entre Confap, Consecti e CNPq, com apoio dos governos estaduais e agências de fomento regionais. No Amazonas, é executado pela Fapeam. A iniciativa busca estimular pesquisas científicas e tecnológicas voltadas para a sustentabilidade e inclusão social, com foco em temas como:
Protagonismo dos povos da Amazônia no conhecimento e adaptação às mudanças climáticas;
Fortalecimento de cadeias produtivas sustentáveis;
Planejamento territorial e logístico para o desenvolvimento multiescalar da região.
Com o evento nórdico-brasileiro, Manaus se consolida como ponto estratégico para o diálogo científico global sobre a Amazônia, abrindo novas perspectivas para cooperação internacional e soluções inovadoras rumo à COP-30.

