quarta-feira, março 25

A Polícia Civil do Amazonas concluiu que a médica Juliana Brasil encomendou e pagou pela adulteração de um vídeo utilizado para justificar o erro na prescrição de adrenalina durante o atendimento que resultou na morte do menino Benício Xavier, de 6 anos.

O caso ocorreu em novembro de 2025, quando a criança recebeu adrenalina por via intravenosa procedimento considerado inadequado para o quadro clínico, segundo as investigações. Após a aplicação, o menino sofreu múltiplas paradas cardíacas e não resistiu.

O vídeo, apresentado pela defesa da médica, sustentava a versão de que a prescrição equivocada teria sido causada por uma falha no sistema do hospital. No entanto, perícias técnicas apontaram que o material foi manipulado.

De acordo com o delegado Marcelo Martins, mensagens extraídas do celular da médica comprovam que ela articulou a produção do conteúdo. As conversas indicam que Juliana Brasil buscou profissionais para gravar e editar o vídeo, além de mencionar o pagamento pelo serviço. “A linha de investigação identificou que o vídeo era fraudado. Ficou comprovado que a médica pagou para que fosse produzido um material alterado”, afirmou o delegado.

Segundo a apuração, a intenção seria simular falhas no sistema do hospital, indicando que a plataforma sugeriria automaticamente a aplicação intravenosa de adrenalina, mesmo quando outra via fosse selecionada.

Além da suposta tentativa de fraude, a investigação também revelou que a médica utilizava o celular para negociar a venda de cosméticos durante o atendimento à criança, que estava em estado crítico na sala de emergência.

Para a polícia, os elementos reunidos apontam para possível dolo eventual, quando há consciência do risco de causar a morte, o que pode configurar homicídio qualificado doloso.

A defesa de Juliana Brasil nega as acusações. Em nota, afirma que o vídeo apresentado é legítimo e foi produzido em outro hospital que utiliza o mesmo sistema, além de contestar a informação de pagamento pela suposta adulteração.

O caso segue em investigação e deve avançar com novas análises e possíveis medidas judiciais.

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