A Polícia Federal (PF) prendeu, na manhã desta quinta-feira (06/11), quatro advogados suspeitos de integrar o núcleo jurídico do Comando Vermelho (CV) no Amazonas. As prisões ocorreram em Manaus, durante uma operação que também cumpriu mandados de busca e apreensão em residências e escritórios de advocacia.
De acordo com as investigações, os advogados seriam ligados a um traficante conhecido como “Allan Índio”, apontado como um dos principais conselheiros da facção. O criminoso está entre os foragidos da megaoperação realizada há dez dias no Rio de Janeiro, que resultou na morte de 121 pessoas.
Durante a ação, a PF apreendeu dinheiro, veículos, documentos e computadores que serão periciados. A Justiça Federal autorizou quatro prisões preventivas e cinco mandados de busca e apreensão.
Segundo a Polícia Federal, o grupo atuava como elo entre líderes da facção e os chefes de presídios e pontos de venda de drogas em todo o Amazonas. Os advogados também teriam papel importante na logística de transporte de entorpecentes vindos da Colômbia e na lavagem de dinheiro proveniente do tráfico.
As investigações indicam que profissionais com acesso ao sistema prisional simulavam atividades advocatícias para repassar ordens, bilhetes e valores de membros do CV. A estrutura criminosa, conforme a PF, se estendia para outros estados e países da América do Sul, onde estariam sediados os 13 “conselheiros” que controlam as operações da facção.
A Comissão de Prerrogativas da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) foi acionada para acompanhar o cumprimento dos mandados e garantir o respeito aos direitos dos investigados.
A operação é um desdobramento da Operação Xeque-Mate, que visa desarticular a comunicação e o comando de facções dentro e fora das unidades prisionais, além de impedir o repasse de ordens criminosas com alcance nacional e internacional.

