Manifestantes defendem presença efetiva nas negociações sobre combate à degradação das terras e mudanças climáticas
Representantes de povos indígenas de diferentes regiões do mundo protestaram nesta quinta-feira (20/08) durante a 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17), realizada em Ulaanbaatar, capital da Mongólia. O grupo reivindica maior participação nas negociações oficiais do evento.
Os indígenas consideram insuficiente o espaço criado nesta edição para representantes de povos tradicionais, chamado de Caucus Indígena e de Comunidades Tradicionais. Para os participantes, a iniciativa tem caráter apenas simbólico e não garante uma participação efetiva nas decisões.
A líder da Associação das Mulheres Indígenas Peules do Chade, Oumarou Ibrahim Hindou, afirmou que os povos tradicionais precisam ter seus conhecimentos e direitos reconhecidos nas discussões sobre o futuro do planeta. “Não haverá COP sem as pessoas da terra. Nós estamos prontos para lutar”, afirmou.
Exclusão de temas sociais
Os manifestantes também criticaram a retirada de temas relacionados a gênero e participação social da agenda oficial da conferência. A exclusão ocorreu após solicitação dos Estados Unidos e depende de consenso entre as 197 partes da convenção para ser revertida.
Para os representantes indígenas, questões sociais precisam fazer parte das decisões relacionadas ao combate à desertificação e às mudanças climáticas.
Povos indígenas como guardiões da natureza
A líder quechua Sonia Astuhuamán Pardavé, da nação Kuntur Wanka, no Peru, destacou o papel das comunidades indígenas na preservação ambiental.
Segundo ela, os povos tradicionais possuem conhecimentos acumulados ao longo de gerações que podem contribuir para enfrentar a degradação das terras e a crise climática. “Representamos comunidades inteiras e temos a chave para solucionar a crise da terra e a crise climática”, afirmou.
Declaração de Ulaanbaatar
Durante um evento paralelo à COP17, também foi apresentada a Declaração de Ulaanbaatar: Apelo à Ação Global de Povos Pastoris e Indígenas.
O documento reconhece a importância dessas comunidades para a conservação da biodiversidade, a segurança alimentar e o manejo sustentável das áreas de pastagem. Também rejeita a ideia de que o pastoreio seja uma atividade ultrapassada ou responsável pela desertificação.
Entre as reivindicações estão o reconhecimento dos direitos territoriais, a garantia de acesso a água e pastagens e a proteção dos corredores utilizados por pessoas e animais.
Os povos indígenas e pastoris também cobram maior acesso a recursos para adaptação às mudanças climáticas, preparação para períodos de seca, restauração de áreas degradadas e fortalecimento da segurança alimentar.
A declaração ainda defende que os recursos destinados às comunidades sejam, sempre que possível, disponibilizados de forma direta e flexível, sem intermediários.
Ao final, os participantes pediram que a Declaração de Ulaanbaatar seja incorporada aos resultados oficiais da COP17 e anunciaram a realização de um novo encontro global de povos pastoris e indígenas em 2030.

