A rede estadual de saúde do Amazonas realizou, nessa semana, a primeira doação de órgãos de 2026, possibilitando a realização de três transplantes e marcando mais um avanço na política pública de transplantes no Estado. A jornada teve início no Hospital e Pronto-Socorro (HPS) 28 de Agosto, no Complexo Hospitalar Sul (CHS), onde ocorreu a captação de múltiplos órgãos, e foi concluída no Hospital Delphina Rinaldi Abdel Aziz, no Complexo Hospitalar Norte (CHN), com dois transplantes renais e um transplante hepático.
Os procedimentos foram viabilizados a partir de um único doador falecido no HPS 28 de Agosto. Ao todo, foram captados cinco órgãos: um fígado, dois rins e duas córneas, estas últimas encaminhadas ao Banco de Olhos do Amazonas, ampliando a possibilidade de devolver visão a pacientes que aguardam na fila de transplantes.
A secretária de Estado de Saúde, Nayara Maksoud, destacou a atuação integrada entre as unidades hospitalares e os órgãos parceiros. Segundo ela, a consolidação do trabalho em rede garantiu maior sincronismo entre as equipes de captação e transplante, permitindo ao Amazonas alcançar, em 2025, o recorde histórico de 30 captações de órgãos e se consolidar como o maior centro transplantador da Região Norte.
As ações envolveram profissionais da Coordenação Estadual de Transplantes, da Organização de Procura de Órgãos (OPO Amazonas), hospitais da rede estadual, além do apoio da Fundação de Vigilância em Saúde Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP) e da Fundação Hospitalar de Hematologia e Hemoterapia do Amazonas (Hemoam), que asseguraram suporte laboratorial, transfusional e logístico em todas as etapas.
De acordo com o coordenador estadual de transplantes, o médico Marcos Lins, em menos de 24 horas foram realizadas cinco captações e três transplantes. “Esses procedimentos representam um novo começo para pacientes que aguardavam por uma chance real de continuar vivendo. Todos os transplantados seguem em recuperação, sob acompanhamento em unidade de terapia intensiva”, afirmou.
A especialista em captação e doação de órgãos, Hellen Bezerra, reforçou a importância da conscientização da população para ampliar o número de doadores no Amazonas. Ela destacou que o avanço dos transplantes renais e hepáticos no Estado tem contribuído para aumentar a sensibilização da sociedade sobre o tema.
“A doação só acontece com a autorização da família no momento adequado. Por isso, é fundamental que as pessoas conversem com seus familiares e manifestem, ainda em vida, o desejo de serem doadoras. Esse diálogo simples pode salvar muitas vidas”, explicou.
Referência em transplantes
O Hospital Delphina Rinaldi Abdel Aziz é referência em transplantes renais e hepáticos no Amazonas e também realiza procedimentos de média e alta complexidade, como implante coclear e outros tratamentos especializados. A unidade conta ainda com o maior Parque Diagnóstico da Região Norte.
Desde a retomada dos transplantes na rede pública estadual, em junho de 2023 para os procedimentos renais e em outubro de 2025 para os hepáticos, o hospital já realizou 272 transplantes, sendo 264 de rins e oito de fígado. Em apenas dois anos, o número representa mais de 58% dos transplantes realizados ao longo de 16 anos pela rede privada, consolidando o Amazonas como referência na Região Norte.
Inaugurado em 2014, o Hospital Delphina Aziz passou por ampla transformação a partir de 2019, ampliando significativamente sua capacidade. O número de leitos cresceu de 35, em 2018, para os atuais 362, fortalecendo o acesso da população amazonense a serviços de alta complexidade pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

