Segundo turno deste domingo (21) opõe esquerda governista e direita alinhada a Trump
A Colômbia vai às urnas neste domingo (21/06) para escolher o presidente que comandará o país entre 2026 e 2030. Mais de 41 milhões de eleitores estão aptos a votar em um pleito marcado por forte polarização política, disputa ideológica e influência direta no tabuleiro geopolítico da América do Sul.
A eleição coloca frente a frente o senador Iván Cepeda, aliado do atual presidente Gustavo Petro e defensor da continuidade da agenda de esquerda, e o advogado Abelardo de la Espriella, candidato da extrema-direita e apoiado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
No primeiro turno, realizado em 31 de maio, De la Espriella saiu na frente com cerca de 43,7% dos votos, contra 40,9% de Cepeda, em uma diferença de pouco mais de 600 mil votos. O comparecimento foi de 57%, já que o voto não é obrigatório no país.
Disputa entre dois projetos de país
Cepeda, senador em terceiro mandato e figura histórica da esquerda colombiana, representa a continuidade do projeto do Pacto Histórico, coalizão que levou Gustavo Petro ao poder. Filho de um ex-senador assassinado em meio à violência política no país, ele sustenta uma agenda de reformas sociais, ampliação de direitos e manutenção das negociações de paz com grupos armados.
Na outra ponta, De la Espriella se apresenta como outsider da política tradicional. Advogado e empresário, ele promete uma guinada na segurança pública, com endurecimento contra o crime organizado, aproximação com a Casa Branca e alinhamento com Israel. Admirador do presidente argentino Javier Milei, ele ganhou força ao defender um discurso de “lei e ordem”.
Violência, economia e disputa de rumos
A votação ocorre em um país que ainda convive com a presença de grupos armados e altos índices de violência, apesar do acordo de paz firmado em 2016 com as Farc. O governo Petro tentou avançar na política de “Paz Total”, mas enfrenta dificuldades para conter a escalada de confrontos.
Ao mesmo tempo, a Colômbia mantém indicadores econômicos positivos, com crescimento e reformas recentes em áreas como trabalho e previdência, fatores que também entram no debate eleitoral.
Peso regional e influência externa
O resultado da eleição é acompanhado de perto por países da região e por Washington. Analistas avaliam que uma vitória de De la Espriella pode reforçar a influência do eixo político ligado a Donald Trump na América Latina, com impacto sobre agendas ambientais, comerciais e diplomáticas.
Já uma vitória de Cepeda tende a manter a Colômbia alinhada a governos progressistas da região, como Brasil e México, preservando uma articulação latino-americana em temas como integração e desenvolvimento social.
Sem confirmação de encontro bilateral entre os dois candidatos durante a votação, o pleito é tratado como um dos mais decisivos dos últimos anos na América do Sul, não apenas pela disputa interna, mas pelo efeito direto na geopolítica regional.
Fonte: Agência Brasil


