Os manauaras acordaram, nesta quinta-feira (17/9), sob forte presença de fumaça e com a qualidade do ar classificada como “insalubre” pelos sistemas de monitoramento. Diante desse cenário de vulnerabilidade ambiental, a Defensoria Pública do Amazonas (DPE-AM) reforça a solicitação de providências aos órgãos competentes para mitigar os efeitos das queimadas sobre a população da capital e do interior.
A qualidade do ar voltou a piorar em Manaus na manhã desta quinta-feira (17/09). Por volta das 7h30, todos os pontos monitorados na cidade registravam algum nível de poluição. No bairro Compensa, na zona oeste, o índice chegou a 129,5 µg/m³, considerado péssimo.
Esta é a terceira vez, em menos de dez dias, que Manaus amanhece encoberta por fumaça. Situações semelhantes foram registradas no dia 9 de setembro e, quatro dias depois, no domingo (13).
Na última segunda-feira (14/9), a instituição, por meio da Defensoria Pública Especializada em Interesses Coletivos (DPEIC), protocolou uma nova manifestação na Justiça em relação a um processo iniciado em 2024, que solicita a criação de uma Sala de Situação na capital para o monitoramento e a comunicação das medidas de combate aos incêndios e às queimadas.
O processo tem como réu o Estado do Amazonas e destaca a recorrência de episódios de queimadas e os prejuízos à saúde da população provocados pela presença de fumaça. O defensor público e titular da DPEIC, Carlos Almeida, explica que a instituição vem solicitando medidas para enfrentar a situação desde 2023, quando pediu intervenção federal no Amazonas diante do aumento do número de queimadas em diversas regiões do Estado.
“Acreditamos que, por conta dessa situação severa das queimadas e da poluição que assola o Amazonas, em especial a capital, todas as ações dos órgãos pertinentes devem ser tomadas. Os dados de sistemas de monitoramento de focos e de queimadas apontam que os incêndios maiores se concentram na Região Metropolitana, gerando a nuvem de fumaça. Isso demonstra que terceirizar o problema para os estados vizinhos não é a solução, e as medidas precisam ser tomadas de forma contundente”, destacou.
Em Manaus, o bairro Compensa, na zona oeste, atingiu, na manhã desta quinta-feira, o índice de 129,5 µg/m³, considerado péssimo e insalubre. No monitoramento da qualidade do ar, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estabelece uma diretriz de concentração de partículas menor ou igual a 5 µg/m³ para minimizar danos a longo prazo, especialmente para grupos vulneráveis, como crianças, idosos e pessoas com condições respiratórias.
Para o defensor público Carlos Almeida, o cenário apresentado por Manaus nos últimos dias poderia ter uma resolução diferente.
“Se as medidas liminares solicitadas em 2024 já tivessem sido deferidas, poderíamos estar vendo uma outra reação diante do que está acontecendo na capital hoje, com ações e respostas mais rápidas e adequadas do Poder Público e dos órgãos competentes”, concluiu.
Monitoramento
A Defesa Civil Municipal acompanha os níveis de poluição e as condições meteorológicas. Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Manaus está entre os municípios do Amazonas com menor número de focos de incêndio.
A Prefeitura também mantém ações de prevenção e fiscalização por meio do Comitê de Prevenção às Queimadas. A Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Mudança do Clima realiza atividades educativas, monitoramento e fiscalizações com drones.
Denúncias de queimadas podem ser feitas à Guarda Municipal pelo telefone 153 ou pela plataforma digital da Prefeitura.
Cuidados com a saúde
A Secretaria Municipal de Saúde recomenda que a população reduza a exposição à fumaça, principalmente crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias ou cardíacas.
Durante os períodos de piora da qualidade do ar, a orientação é evitar atividades físicas ao ar livre, manter-se hidratado e proteger olhos e nariz. Em situações de exposição inevitável, máscaras como a N95 podem ajudar a reduzir a inalação de partículas.
Entre os sintomas relacionados à exposição estão tosse, irritação na garganta, ardência nos olhos, coriza, dor de cabeça, chiado no peito e falta de ar.
Em caso de sintomas leves, a recomendação é procurar uma unidade básica de saúde. Situações mais graves devem ser encaminhadas para serviços de pronto atendimento. Em emergências, o Samu pode ser acionado pelo telefone 192.
A Prefeitura informou que continuará monitorando a qualidade do ar e as condições meteorológicas em Manaus.

