A morte de Benício Xavier de Freitas, de apenas 6 anos, continua mobilizando familiares, autoridades e a sociedade amazonense. Em mais um desdobramento do caso, o Conselho Regional de Medicina do Amazonas (Cremam) decidiu instaurar processos ético-profissionais para apurar a conduta dos médicos envolvidos no atendimento prestado à criança.
A decisão foi tomada após a conclusão da sindicância realizada pelo órgão, que identificou indícios de possíveis infrações éticas durante a assistência médica recebida por Benício. Com a abertura dos processos, o conselho dará continuidade à investigação para esclarecer as circunstâncias do atendimento e verificar eventuais responsabilidades profissionais.
O caso ganhou grande repercussão e despertou comoção pela perda precoce do menino, reforçando o apelo por esclarecimentos e pela apuração rigorosa dos fatos.
Benício morreu em 23 de novembro de 2025, após receber uma aplicação de adrenalina durante atendimento hospitalar em Manaus. Segundo as investigações, a medicação teria sido administrada por uma via e em uma dosagem incompatíveis com o quadro clínico do paciente. Após o procedimento, a criança sofreu sucessivas paradas cardíacas e não resistiu.
A abertura dos processos ético-profissionais foi divulgada pela defesa da família da criança. Procurado, o Cremam informou que o procedimento tramita sob sigilo processual e que, por determinação legal, não pode comentar o mérito das apurações nem divulgar informações sobre os profissionais envolvidos.
Apuração identificou indícios em diferentes etapas do atendimento
De acordo com o advogado Ricardo Albuquerque, representante da família de Benício, a sindicância apontou possíveis irregularidades na atuação de profissionais que participaram do atendimento desde a entrada da criança no pronto-socorro até sua permanência na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
Segundo ele, além dos médicos diretamente ligados à assistência prestada ao menino, os processos também alcançam profissionais que ocupavam funções de coordenação e gestão dentro da unidade hospitalar.
A sindicância teria identificado elementos que justificam a abertura de procedimentos para apuração de eventuais responsabilidades éticas, embora isso não represente, neste momento, qualquer condenação dos envolvidos.
Processos ainda passarão por julgamento
A instauração dos processos marca uma nova etapa na apuração conduzida pelo conselho profissional. Os médicos citados terão direito à ampla defesa e ao contraditório durante a tramitação dos procedimentos.
Conforme explicou a defesa da família, a decisão que determinou a abertura dos processos ainda pode ser contestada por meio de recurso dentro do próprio sistema de fiscalização profissional.
O julgamento futuro deverá analisar se houve, de fato, infração ao Código de Ética Médica e se existem elementos suficientes para aplicação de eventuais sanções administrativas.
Caso também é investigado na esfera criminal
O caso Benício já havia avançado em outra frente de investigação. Recentemente, a Polícia Civil concluiu o inquérito sobre a morte da criança e indiciou quatro pessoas por homicídio.
As investigações policiais apontaram possíveis falhas no atendimento médico prestado ao menino, hipótese que agora também é analisada no âmbito ético-profissional pelo Conselho Regional de Medicina.
Enquanto os processos seguem em tramitação, a família de Benício afirma esperar que as apurações contribuam para esclarecer as circunstâncias da morte da criança e para evitar que situações semelhantes voltem a ocorrer.
A conclusão da sindicância representa um dos principais desdobramentos do caso desde o início das investigações e amplia o debate sobre protocolos de atendimento, segurança do paciente e responsabilidade profissional na rede de saúde.

