A investigadora da Polícia Civil do Amazonas, Anabela Cardoso Freitas, deixou a prisão na manhã desta sexta-feira (15/05), após decisão do ministro Ribeiro Dantas, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que revogou a prisão preventiva da servidora investigada na operação Erga Omnes.
A decisão foi assinada na noite de quinta-feira (14), em Brasília. Ao analisar o caso, o ministro entendeu que não havia elementos suficientes para manter a prisão preventiva, considerando que a investigação já havia sido concluída e que o Ministério Público do Amazonas (MPAM) não incluiu Anabela na denúncia apresentada contra parte dos investigados.
Anabela havia sido presa no dia 20 de fevereiro durante a operação Erga Omnes, que apura a atuação de um suposto núcleo político ligado ao crime organizado no Amazonas. Segundo a decisão do STJ, o relatório final da Polícia Civil afastou as acusações de tráfico de drogas e associação para o tráfico inicialmente atribuídas à investigadora.
O ministro Ribeiro Dantas destacou ainda que não foram identificados indícios de atuação violenta, liderança operacional ou risco atual de interferência na produção de provas por parte de Anabela. A decisão também menciona que o próprio Ministério Público reconheceu que as investigações ainda não estavam maduras para apresentação de denúncia formal contra ela.
Com isso, a prisão preventiva foi substituída por medidas cautelares, entre elas comparecimento periódico à Justiça, proibição de frequentar determinados locais e restrição de contato com pessoas relacionadas ao processo.
Saída da prisão
Anabela deixou a carceragem do 19º Distrito Integrado de Polícia (DIP) por volta das 10h35, acompanhada por advogados e familiares, incluindo o marido, com quem saiu de mãos dadas.
Questionada por jornalistas sobre a possibilidade de perseguição política, ela preferiu não comentar diretamente o assunto. “O processo ainda está em curso. Saio de cabeça erguida, sou inocente”, afirmou.
A advogada de defesa, Kayla Soares, afirmou que a liberdade concedida pelo STJ reflete a ausência de provas contra a investigadora. “As investigações não tiveram resultados, então nada mais justo que a liberdade. O processo continua com as outras partes, mas estamos contentes porque as investigações não encontraram nada”, declarou.
Trajetória
Anabela Cardoso Freitas é advogada, pós-graduada em Segurança Pública e Inteligência Policial, e atua desde 2011 como investigadora da Polícia Civil do Amazonas.
Ela também trabalhou na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), na Comissão de Constituição, Justiça e Redação, além de ter exercido o cargo de chefe de gabinete no primeiro mandato do ex-prefeito de Manaus, David Almeida.

