O governo do Peru decretou nessa semana estado de emergência na capital, Lima, e em algumas regiões vizinhas, em resposta ao avanço da criminalidade e dos confrontos entre facções nas últimas semanas. A medida autoriza o emprego das Forças Armadas para apoiar a polícia e amplia o controle sobre áreas consideradas de alto risco.

O decreto, publicado no jornal oficial El Peruano, suspende temporariamente direitos de livre circulação e reunião, permitindo que autoridades realizem operações de segurança, revistas e detenções sem mandado judicial, dentro dos limites legais do país. Vale destacar que segundo o presidente do Peru, José Jerí, a medida tem como objetivo dar uma resposta como forma de tentar conter a violência instaurada no país.

A decisão ocorre após uma série de assassinatos, sequestros e ataques armados atribuídos a grupos de crime organizado que atuam em Lima e na região de Callao. Segundo dados do Ministério do Interior, o número de homicídios aumentou mais de 20% em relação ao mesmo período do ano passado.

Nas últimas semanas, bairros periféricos da capital registraram tiroteios e disputas entre quadrilhas ligadas ao tráfico de drogas e extorsão de comerciantes locais. A situação levou o governo a adotar medidas emergenciais semelhantes às aplicadas em 2024 na fronteira com o Equador, onde houve avanço de organizações criminosas transnacionais.

O ministro do Interior, Juan Santiváñez, informou que mais de 5 mil militares e policiais serão mobilizados em operações conjuntas, com foco em bairros considerados críticos. A ação inclui blitze, patrulhamentos noturnos e controle de fronteiras internas, para conter a circulação de armas e drogas.

A medida recebeu apoio de parte da população, mas também gerou críticas de organizações de direitos humanos, que alertam para o risco de abusos durante as operações militares.

Entidades civis pedem transparência nas ações e garantias de respeito às liberdades individuais, lembrando que o país vive um momento de instabilidade política e de desconfiança institucional.

O estado de emergência terá validade inicial de 30 dias, podendo ser prorrogado caso a situação de segurança não melhore. Durante o período, o governo promete divulgar relatórios semanais sobre o avanço das operações e o impacto da medida na redução dos índices de violência.

O decreto reflete o crescimento da crise de segurança pública no Peru, país que, nos últimos anos, vem enfrentando o avanço do crime organizado em meio a uma sucessão de crises políticas e sociais.

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