O principal negociador do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou nesta terça-feira (12) que os Estados Unidos precisam aceitar integralmente a proposta apresentada por Teerã para que haja avanço nas negociações voltadas ao encerramento definitivo do conflito na região.
Em publicação na rede social X, Ghalibaf declarou que o plano iraniano, composto por 14 pontos, representa os “direitos do povo iraniano” e alertou que qualquer tentativa de modificar os termos poderá comprometer as conversas diplomáticas.
Segundo o negociador, insistir em uma estratégia diferente apenas prolongará a crise e aumentará os custos políticos e financeiros para os próprios Estados Unidos.
As declarações ocorreram um dia após o presidente norte-americano Donald Trump criticar duramente a proposta iraniana durante entrevista coletiva na Casa Branca.
Trump classificou o documento enviado por Teerã como “lixo” e afirmou que o cessar-fogo atravessa o momento mais delicado desde o início do conflito. “O cessar-fogo está em estado crítico”, declarou o presidente norte-americano, ao comparar a situação a um paciente com poucas chances de sobrevivência. Trump também afirmou que a proposta iraniana seria “impossível de ser aceita”.
O conteúdo do plano inicial apresentado pelos Estados Unidos não foi divulgado oficialmente. Segundo veículos da imprensa internacional, o documento teria apenas uma página e serviria como base para interromper os combates e iniciar negociações sobre o programa nuclear iraniano.
Na resposta encaminhada a Washington, o governo iraniano exige o fim imediato das hostilidades na região, incluindo os confrontos no Líbano entre Israel e o grupo Hezbollah, aliado de Teerã.
O Irã também cobra o encerramento do bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos a portos iranianos e o desbloqueio de ativos financeiros retidos no exterior em razão das sanções econômicas aplicadas por Washington.
Em meio ao aumento da tensão diplomática, o porta-voz do Parlamento iraniano, Ebrahim Rezaei, voltou a alertar que o país poderá elevar o enriquecimento de urânio para 90% de pureza, nível considerado compatível com uso militar, caso o território iraniano seja novamente alvo de ataques.

