Belém (PA) amanheceu neste domingo (12) envolta em fé, emoção e tradição com a realização da procissão principal do Círio de Nazaré, a maior manifestação religiosa do Brasil. A expectativa da organização é de que o número de fiéis supere os 2 milhões de participantes, repetindo ou até ultrapassando o público registrado em 2024.

A programação do 233º Círio de Nazaré começou às 6h da manhã, com uma missa celebrada na Catedral da Sé, seguida do cortejo de 3,6 quilômetros que levou a imagem de Nossa Senhora de Nazaré até a Basílica Santuário, passando por pontos emblemáticos da capital paraense como o Mercado Ver-o-Peso, a Estação das Docas e a Praça da República. A caminhada durar aproximadamente seis horas.

Marcada por orações, promessas e devoção profunda, a procissão tem como ponto alto o tradicional puxar da corda, conduzido pelos chamados “cordeiros” fiéis que guiam os 800 metros de corda que ligam o povo à imagem peregrina da santa. Este gesto simbólico de sacrifício e gratidão é frequentemente acompanhado de lágrimas e manifestações emocionadas. Quando a corda se parte, o momento é interpretado por muitos como sinal de fé renovada.

Na véspera, milhares de devotos participaram das romarias preparatórias. Desde as primeiras horas da manhã de sábado, cerca de 700 mil pessoas acompanharam o trajeto da Imagem Peregrina ao longo de 24 quilômetros, em uma demonstração de fé que envolveu caminhões, motos e carros enfeitados.

Mobilização e segurança

Para garantir a tranquilidade durante o evento, o Governo do Pará montou uma grande operação de segurança, envolvendo polícias, bombeiros, equipes médicas e mais de 5 mil voluntários da Arquidiocese de Belém.

Além do caráter religioso, o Círio é também um grande evento cultural e econômico. Segundo a Secretaria de Estado de Turismo (Setur), a edição de 2025 deve gerar um impacto financeiro de R$ 210 milhões, impulsionando setores como hospedagem, alimentação, comércio e transporte, com crescimento médio de até 20% na movimentação econômica local durante o período.

Patrimônio que atravessa gerações

A devoção a Nossa Senhora de Nazaré remonta ao século XVIII, quando a imagem da santa foi encontrada por Plácido José de Souza nas margens do Igarapé Murucutu. Desde então, tornou-se símbolo da fé do povo paraense. A imagem original, esculpida em madeira, recebeu em 1953 manto e coroa pontifícia, enviados pelo Papa Pio XII, e até hoje preserva suas características originais.

Outro momento simbólico é a Descida do Glória, cerimônia criada em 1969 e aberta ao público a partir de 1992, que permite aos fiéis acompanhar de perto a aproximação da imagem ao povo um gesto de humildade e comunhão.

A grandiosidade do evento atrai não apenas fiéis, mas também representantes do governo. Estão confirmadas as presenças dos ministros Celso Sabino (Turismo), Jader Filho (Cidades), Alexandre Silveira (Minas e Energia), Vinícius de Carvalho (CGU) e Sônia Guajajara (Povos Indígenas), além do ex-ministro Carlos Lupi.

Neste ano, pela primeira vez, o governo federal investiu diretamente R$ 2 milhões na estrutura e promoção do Círio, reconhecendo seu valor cultural e espiritual como patrimônio do Brasil.

Celebrações continuam após o domingo

A programação do Círio de Nazaré se estende por várias semanas após a procissão principal. No próximo sábado (18), acontece a Ciclo Romaria, que reúne milhares de ciclistas em homenagem à padroeira. No mesmo dia, à tarde, a Romaria da Juventude une jovens em momentos de fé, música e confraternização.

Outras procissões completam o calendário, como a Romaria das Crianças, Romaria dos Corredores, Romaria da Acessibilidade, Romaria da Festa e o Recírio, marcado para 15 dias após o Círio, encerrando oficialmente as celebrações.

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