Uma parceria entre a Universidade do Estado do Amazonas (UEA), a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM) e o Ministério da Saúde está qualificando profissionais para ampliar o acesso ao Implanon, método contraceptivo de longa duração ofertado pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
A etapa prática da capacitação ocorre até esta quarta-feira (3/6), na Escola Superior de Ciências da Saúde (ESA/UEA), reunindo 108 médicos e enfermeiros de 36 municípios amazonenses. A expectativa é que a ação alcance os 62 municípios do estado.
Durante a qualificação, os participantes recebem treinamento para a inserção do implante e para o acolhimento das pacientes. Cerca de 324 implantes foram inseridos durante as atividades práticas.
Segundo a coordenadora da ação pela UEA, professora doutora Lihsieh Marrero, a iniciativa contribui para ampliar o acesso das mulheres à saúde reprodutiva, especialmente no interior.

“A UEA tem um olhar especial para o interior. Sabemos o quanto podemos colaborar com a formação desses profissionais para que as nossas mulheres tenham acesso ao Implanon. Com isso, reduzimos a mortalidade materna, a mortalidade neonatal e o número de gravidezes não intencionais. Nossa missão é habilitar esses profissionais para que levem mais acesso à saúde à população do interior”, afirmou.
A secretária executiva adjunta de Políticas de Saúde da SES-AM, Diana Lima, destacou a importância da parceria para fortalecer a assistência nos municípios.
“Essa iniciativa vai proporcionar que os profissionais dos 62 municípios estejam habilitados para fazer a inserção do implante nas mulheres dos seus territórios. O Implanon é uma novidade dentro do planejamento reprodutivo e amplia as opções contraceptivas oferecidas às mulheres amazonenses”, ressaltou.
Criado como uma ação de extensão universitária, o Núcleo de Apoio à Saúde Sexual e Reprodutiva (Nuasser) da UEA participa da qualificação desde 2025, atuando na formação teórica e prática dos profissionais.
Experiências
Entre as participantes da atividade estava Thayana Lima, de 35 anos. Mãe de uma menina, ela buscou o método para evitar uma gravidez pelos próximos três anos, período de eficácia do implante, enquanto prioriza seus objetivos profissionais.
“A experiência foi ótima, porque teve o acompanhamento de um profissional que já conhece o processo na prática. É uma equipe acolhedora que vai contribuir bastante nesse processo, principalmente para pessoas de baixa renda que precisam desses métodos e às vezes não têm condições”, reforçou.
A enfermeira Eduarda Rocha, coordenadora da Saúde da Mulher em Santo Antônio do Içá, integrou a equipe responsável pelo atendimento e acompanhamento da voluntária. Para ela, a capacitação representa uma oportunidade de ampliar o acesso aos métodos contraceptivos.
“É uma coisa muito boa que a gente pode levar para o nosso município. Ofertar mais uma opção de contraceptivo para as mulheres e, também, ser multiplicador na nossa cidade, capacitando mais profissionais, mais médicos, mais enfermeiros, assim, dar uma qualidade melhor da saúde da mulher no município”, ressaltou.
Sobre o Implanon
O implante subdérmico, conhecido como Implanon, é um método contraceptivo de longa duração e alta eficácia. Inserido sob a pele do braço que atua por até três anos sem necessidade de manutenção durante esse período. Após o prazo de validade, o dispositivo deve ser retirado e, caso a paciente deseje, um novo implante pode ser inserido pelo SUS. A fertilidade retorna rapidamente após a remoção.
O Implanon faz parte dos métodos contraceptivos gratuitos oferecidos pelo SUS, que inclui preservativos externos e internos, DIU de cobre, anticoncepcionais orais combinado e de progestagênio, pílulas de emergência, injetáveis hormonais mensal e trimestral, laqueadura tubária bilateral e vasectomia. Entre todos os métodos disponíveis, apenas os preservativos oferecem proteção contra Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs).

