Mais de 41 horas após o vazamento de estireno na fábrica da Innova, no Distrito Industrial, zona Sul de Manaus, equipes do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) continuam atuando no resfriamento dos tanques e no monitoramento da área para evitar novos riscos. Apesar da redução na emissão de vapores, a operação segue sem previsão de encerramento.
De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM), até as 10h30 desta sexta-feira (1707), 204 pessoas receberam atendimento na rede estadual de saúde em decorrência do incidente. Os sintomas mais frequentes foram falta de ar, náusea, dor de cabeça, tontura e desmaios.
Segundo o Corpo de Bombeiros, a liberação de vapores permanece, porém em intensidade significativamente menor do que nas primeiras horas da ocorrência. Atualmente, cerca de 80% do material liberado é composto por partículas de água, enquanto a concentração de estireno foi reduzida.
Por medida de segurança, permanece isolada uma área de aproximadamente 300 metros ao redor da indústria. A liberação das empresas localizadas nas proximidades dependerá de uma nova avaliação técnica das equipes responsáveis.
O vazamento ocorreu na tarde de quarta-feira (15), após uma elevação anormal da temperatura em um tanque que armazenava monômero de estireno, substância utilizada na fabricação de plásticos e borrachas. Para evitar uma explosão, o sistema de segurança do reservatório acionou válvulas que liberaram o produto na atmosfera.
As equipes do CBMAM continuam resfriando a parte externa do tanque enquanto acompanham, por meio de equipamentos a laser, a temperatura interna do reservatório. Segundo o governo estadual, 35 militares participaram das primeiras ações de contenção e permanecem mobilizados na operação.
Pacientes seguem internados
Dos 204 atendimentos registrados pela SES-AM, 192 pacientes receberam alta após avaliação médica. Outros 11 permanecem internados em observação, sem divulgação do estado de saúde.
A secretaria também confirmou a morte de um homem de 67 anos que procurou atendimento após relatar mal-estar. No entanto, conforme avaliação médica, o paciente apresentava doença pulmonar crônica e outras comorbidades, não havendo, até o momento, comprovação de relação direta entre o óbito e a exposição ao estireno.
Escolas permanecem com aulas suspensas
Como medida preventiva, as atividades seguem suspensas em 12 escolas da rede estadual localizadas nas proximidades do Distrito Industrial.
A Prefeitura de Manaus também manteve a suspensão das aulas em dez unidades da rede municipal situadas nos bairros Mauazinho, Parque Jardim Mauá e Crespo. A Secretaria Municipal de Educação (Semed) informou que o retorno das atividades ocorrerá somente após a confirmação de que o ambiente oferece condições seguras para estudantes e servidores.
Investigação continua
Após a conclusão da operação dos bombeiros, a área será liberada para perícia da Polícia Civil do Amazonas, com apoio da Polícia Técnico-Científica, que investigará as causas do acidente.
A principal hipótese levantada pelo Corpo de Bombeiros é de uma reação espontânea no interior do tanque de armazenamento, provocada pela quebra das moléculas de estireno, desencadeando um processo de superaquecimento. Segundo a corporação, o acionamento das válvulas de segurança evitou um cenário mais grave, como incêndio ou explosão, mas ocasionou a liberação do produto químico sob alta pressão.

