Após três dias de paralisação parcial, os trabalhadores do transporte coletivo encerraram o movimento nesta quarta-feira (22/07), permitindo a retomada da circulação normal dos ônibus em Manaus. A decisão foi anunciada pelo Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários de Manaus após o repasse dos recursos destinados ao pagamento dos salários da categoria.
A paralisação teve início na última segunda-feira (20/07), depois que as empresas de transporte coletivo deixaram de efetuar o pagamento da primeira parcela dos salários dentro do prazo estabelecido pela Justiça do Trabalho.
Segundo o presidente do sindicato, Givancir Oliveira, a categoria foi orientada a retornar às atividades após a confirmação do repasse dos valores. O dirigente informou ainda que os pagamentos aos trabalhadores seriam concluídos até o fim da manhã desta quarta-feira.
Frota operou de forma reduzida
Durante os três dias de paralisação, a circulação dos ônibus ocorreu de forma parcial, conforme determinação do Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (TRT-11).
A decisão judicial estabeleceu que as empresas deveriam manter 80% da frota em operação nos horários de pico, das 6h às 9h e das 17h às 20h, além de 50% da frota nos demais períodos, a fim de reduzir os impactos para a população.
No início da manhã desta quarta-feira, o esquema ainda estava em vigor, sendo normalizado após o anúncio do fim da paralisação.
Justiça definiu cronograma para pagamento
Neste mês, o TRT-11 determinou que as empresas do transporte coletivo efetuem o pagamento de 40% dos salários até o dia 20 de cada mês — ou no dia útil anterior quando a data coincidir com finais de semana ou feriados — e os 60% restantes até o quinto dia útil do mês seguinte. O descumprimento desse cronograma motivou a mobilização da categoria.
Impasse envolve dívida do Passe Livre Estudantil
Durante a paralisação, o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram) atribuiu os atrasos financeiros à existência de débitos relacionados ao Passe Livre Estudantil.
A entidade informou que os valores em aberto somariam R$ 90,1 milhões, sendo mais de R$ 44 milhões de responsabilidade do Governo do Amazonas e o restante da Prefeitura de Manaus.
A Prefeitura, por sua vez, afirmou que não possui débitos referentes ao exercício de 2026 e informou ter repassado aproximadamente R$ 284 milhões ao sistema de transporte neste ano. O Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU) esclareceu, no entanto, que existe um passivo de R$ 150,4 milhões, acumulado em anos anteriores, dos quais cerca de R$ 91 milhões seriam de responsabilidade do Governo do Estado e R$ 59 milhões do município.
Governo contesta valores
O Governo do Amazonas também contestou os números apresentados pelo Sinetram e informou reconhecer apenas R$ 18 milhões em débitos referentes ao Passe Livre Estudantil entre fevereiro e julho deste ano.
Na noite de terça-feira (21/07), o vice-governador Serafim Corrêa divulgou o comprovante da transferência do valor para a conta do Sinetram, afirmando que o Estado havia quitado sua parte da obrigação.
A divergência entre governo e empresas está relacionada ao cálculo do benefício. Enquanto o Estado defende que o pagamento deve considerar o valor da meia-passagem, fixado em R$ 2,50, o Sinetram sustenta que o repasse deve ser feito com base na tarifa técnica, atualmente superior a R$ 8 por passageiro.
Com o encerramento da paralisação, o sistema de transporte coletivo voltou a operar normalmente em Manaus, enquanto as negociações sobre o financiamento do Passe Livre Estudantil seguem em discussão entre o poder público e as empresas do setor.

