Estudantes da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) alcançaram um feito inédito ao participar da 7ª Latin America Space Challenge (LASC), competição internacional de foguetes realizada em Iacanga, no interior de São Paulo. Segundo a equipe e a organização do evento, a Vento Norte UEA foi a primeira equipe da Região Norte do Brasil a realizar um lançamento na competição.
O grupo amazonense levou para a disputa o Zagaia, foguete desenvolvido durante nove meses por estudantes de diferentes cursos de Engenharia da UEA. A competição ocorreu entre os dias 2 e 5 de setembro e reuniu 102 foguetes de universidades brasileiras e estrangeiras, incluindo equipes do Chile, Peru, México e Índia.
Na modalidade de apogeu de 1 quilômetro, a equipe amazonense ficou em 20º lugar entre 49 participantes. Na classificação geral, terminou na 42ª posição entre os 102 competidores.
Foguete foi desenvolvido em nove meses
Com 1,69 metro de altura, estrutura de fibra de vidro e motor de classe K, o Zagaia foi projetado para alcançar um quilômetro de altitude. O foguete também contou com sistema de aviônica para monitoramento eletrônico e dois paraquedas, sendo um para arrasto e outro para recuperação.
O desenvolvimento envolveu aproximadamente nove meses de trabalho, entre modelagem, simulações e construção. Apenas a etapa de fabricação levou cerca de cinco meses.
O projeto teve custo estimado em R$ 12 mil. Para arrecadar os recursos, os estudantes buscaram patrocínios, conseguiram materiais com empresas apoiadoras, realizaram rifas e promoveram vendas de alimentos.
A Vento Norte UEA conta atualmente com 41 integrantes de cursos como Engenharia Mecânica, Controle e Automação, Computação, Produção, Elétrica, Eletrônica, Materiais, Química e Civil.
Lançamento teve falha nos paraquedas
O lançamento foi o momento mais aguardado pelos estudantes após meses de preparação. No entanto, o voo não ocorreu conforme o planejado.
O foguete realizou um voo balístico e os paraquedas não foram acionados. De acordo com a equipe, o calor provocou o superaquecimento do sistema eletrônico e comprometeu a comunicação necessária para o acionamento do mecanismo de recuperação.
Apesar do resultado, os estudantes consideram a experiência importante para aprimorar o projeto. A análise da falha deverá orientar mudanças no sistema eletrônico e nos mecanismos de recuperação do próximo foguete.
Projeto busca ampliar pesquisa aeroespacial no Amazonas
Além da participação na competição, a equipe pretende chamar atenção para a necessidade de ampliar a estrutura para pesquisas aeroespaciais no Amazonas.
Segundo os estudantes, o Estado ainda não conta com um laboratório dedicado diretamente à área e a equipe também não possui um espaço físico permanente dentro da universidade para desenvolver seus projetos.
Para o capitão da Vento Norte UEA, Marcos Vinicius Oliveira de Mesquita, de 21 anos, estudante de Engenharia de Produção, a falta de estrutura pode levar jovens interessados no setor a buscar formação e oportunidades fora do Amazonas.
A equipe afirma que o principal apoio institucional recebido até o momento veio da própria UEA, que contribuiu com a divulgação e com a continuidade do projeto.
Próximo foguete
Após a experiência na LASC, a Vento Norte UEA já planeja participar novamente da competição, possivelmente em 2027, com um novo foguete para a modalidade de apogeu de 1 quilômetro.
O próximo projeto deverá incorporar as melhorias identificadas durante o desenvolvimento e o lançamento do Zagaia. O nome do novo foguete ainda não foi divulgado, mas a equipe afirma que fará referência a uma ferramenta relacionada à história do Amazonas.
Para os estudantes, a iniciativa também representa uma oportunidade de incentivar novos talentos no Estado e mostrar que projetos de ciência, tecnologia e engenharia aeroespacial podem ser desenvolvidos na própria região.

