O governador do Amazonas, Roberto Cidade, convocou em caráter de urgência o Comitê Permanente de Enfrentamento a Eventos Climáticos e Ambientais (Copec) para definir novas medidas de combate aos incêndios florestais, reforçar a fiscalização e ampliar a proteção à população. A decisão ocorre em meio ao agravamento das queimadas e aos impactos da fumaça no estado.
Neste sábado (17/10), o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) também solicitou ao Governo Federal quatro aeronaves de grande porte para reforçar as operações entre 25 de outubro e 25 de dezembro de 2026.
“Há 10 dias, nossa população sofre com a fumaça provocada pelos incêndios florestais, muitos deles criminosos, que ameaçam a saúde e a vida de milhares de famílias”, afirmou Cidade.
Segundo o governador, mais de mil bombeiros e brigadistas atuam nas operações. Entre as medidas adotadas estão a proibição do uso do fogo por 120 dias, o monitoramento da qualidade do ar e a intensificação da fiscalização ambiental.
Bombeiros pedem quatro aeronaves de grande porte
O comandante-geral do CBMAM, coronel QOBM Orleilso Muniz, encaminhou o Ofício nº 3581/2026 ao Governo Federal solicitando quatro aeronaves com maior capacidade de combate a incêndios.
O pedido também prevê reforço aéreo para transportar equipes aos municípios e realizar o reconhecimento das áreas atingidas. De acordo com o comandante, as aeronaves utilizadas atualmente enfrentam limitações diante das grandes distâncias, da extensão das áreas afetadas e das dificuldades de acesso aos focos de incêndio.
Mais de 22 mil focos de incêndio
Entre 1º de junho e 16 de outubro, o CBMAM contabilizou 3.710 ocorrências relacionadas a incêndios urbanos e florestais e atuou no combate a 22.557 focos em todo o Amazonas.
Do total de focos, 4.598 foram registrados em Manaus e 17.959 no interior. Cerca de mil profissionais, entre bombeiros militares e brigadistas, participam das operações.
A Operação Amazonas Mais Verde, iniciada em maio, atua em 33 municípios. A iniciativa inclui ações de combate direto, fiscalização, educação ambiental e ampliação da estrutura operacional, com a entrega de 20 viaturas e 453 equipamentos multimissão.
Já a Operação Tamoiotatá abrange 13 municípios e reúne equipes dos Bombeiros e do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam). O balanço registra R$ 235,9 milhões em multas, 504 autos de infração, 296 termos de embargo, mais de 34,8 mil hectares embargados e duas prisões.
Governo amplia estrutura dos Bombeiros
Entre maio de 2025 e maio de 2026, o número de municípios com bases permanentes do Corpo de Bombeiros passou de 11 para 25. O efetivo da corporação aumentou de 692 militares, em 2019, para 1.651 em 2026.
O governo também contratou 153 brigadistas florestais por meio do Programa Floresta em Pé. Os profissionais atuam na prevenção, no monitoramento e no combate aos incêndios, sob coordenação operacional do CBMAM.
Estado decreta emergência por 180 dias
Em 10 de outubro, o Governo do Amazonas publicou o Decreto nº 55.751, que declarou situação de emergência por 180 dias nas áreas dos municípios afetados pelos incêndios florestais.
A medida considera o agravamento das condições climáticas, com previsão de chuvas abaixo da média e temperaturas elevadas, e permite a adoção de ações emergenciais para reduzir os impactos ambientais e os riscos à saúde da população.
O governo estadual também mantém articulação com autoridades federais e prefeituras para reforçar as medidas de prevenção e combate. Em reunião realizada em 11 de outubro, representantes estaduais e ministros acompanharam o panorama das ocorrências e as ações em andamento.
Polícia investiga possíveis crimes ambientais
De janeiro a outubro de 2026, a Delegacia Especializada em Meio Ambiente e Urbanismo (Dema) registrou 567 procedimentos e Verificações de Procedência das Informações (VPIs) relacionados a possíveis crimes ambientais.
Entre os registros estão 90 ocorrências de incêndios em florestas ou outras formas de vegetação, 66 de incêndios em geral, 151 de desmatamento e 14 de poluição atmosférica.
A delegacia pretende solicitar ao Ipaam informações do Cadastro Ambiental Rural (CAR) para identificar proprietários de imóveis nas áreas atingidas e apurar possíveis responsabilidades. As investigações buscam identificar os envolvidos e subsidiar a adoção das medidas legais cabíveis.

