O Ministério da Educação (MEC) e o Ministério da Saúde (MS) divulgaram, nesta segunda-feira (19/1), a análise dos resultados do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) 2025. Ao todo, 351 cursos de medicina participaram da avaliação, que funciona como a modalidade do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) específica para a área médica e também permite o aproveitamento das notas em processos seletivos de residência médica.
Do total de cursos avaliados, 304 pertencem ao Sistema Federal de Ensino, que inclui instituições públicas federais e privadas. Desses, 204 cursos (67,1%) alcançaram conceito satisfatório, entre 3 e 5. Outros 99 cursos (32%) receberam conceitos 1 e 2, considerados insatisfatórios, e passarão por ações de supervisão da Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior (Seres), do MEC.
Cursos do Amazonas entre os piores avaliados
Entre os cursos com pior desempenho no país estão duas instituições privadas do Amazonas. O Centro Universitário CEUNI-Fametro e a Universidade Nilton Lins receberam conceito 1, a nota mais baixa do Enamed, o que coloca os cursos de Medicina dessas instituições entre os piores do Brasil.
A Fametro é administrada pela empresária e professora Maria do Carmo Seffair (PL), que atualmente se apresenta como pré-candidata ao Governo do Amazonas. O resultado negativo ocorre em um momento de maior visibilidade pública da gestora e amplia o debate sobre a qualidade da formação médica oferecida por grandes redes privadas de ensino no estado.
O Enamed avalia competências clínicas, éticas e de formação geral de estudantes concluintes de Medicina, sendo considerado um importante termômetro da qualidade dos cursos oferecidos no país. Instituições que recebem conceitos 1 ou 2 passam a ser classificadas como insatisfatórias pelo MEC e podem sofrer sanções como suspensão de novos ingressos, redução de vagas e restrições à participação em programas federais, como o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).
No Amazonas, o contraste entre o desempenho das instituições privadas e públicas foi evidente. Enquanto Fametro e Nilton Lins obtiveram conceito 1, a Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e a Universidade do Estado do Amazonas (UEA) alcançaram conceito 3, considerado regular. A diferença reforça críticas recorrentes sobre a expansão acelerada de cursos de Medicina na rede privada, muitas vezes sem a mesma estrutura acadêmica, hospitalar e de preceptoria exigida para uma formação adequada.
Medidas de supervisão
De acordo com o MEC, os cursos que obtiveram conceito 1 e 2 pertencem a 93 instituições de ensino superior e estão sujeitos a um processo de supervisão escalonado. Oito cursos que tiveram menos de 30% de concluintes proficientes sofrerão suspensão imediata de ingresso de novos alunos. Outros terão redução de 25% a 50% das vagas ofertadas, além da proibição de ampliação de vagas e da suspensão de participação em programas federais.
O ministro da Educação, Camilo Santana, afirmou que o objetivo das medidas não é penalizar instituições ou estudantes, mas assegurar a qualidade da formação médica no país. “Estamos falando de profissionais que cuidam da vida das pessoas. Precisamos garantir cursos com boa infraestrutura, professores qualificados e campos de prática adequados”, destacou.
Segundo levantamento do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), o Enamed 2025 avaliou 89.024 participantes, entre estudantes concluintes e médicos já formados. Do total, 75% apresentaram desempenho considerado proficiente. Entre os concluintes de medicina, esse percentual foi de 67%.
Os resultados do Enamed serão utilizados como base para políticas de regulação, supervisão e indução da qualidade dos cursos de medicina, além de impactarem diretamente o acesso à residência médica e, consequentemente, a formação de novos profissionais que atuarão no Sistema Único de Saúde (SUS).

