O avanço dos incêndios florestais e a fumaça que encobre Manaus levaram o Amazonas a decretar situação de emergência em 36 municípios e provocaram a suspensão de aulas nas redes municipal e estadual de ensino nesta terça-feira (13/10). As medidas buscam reduzir os impactos da estiagem e proteger a saúde da população diante da piora da qualidade do ar.
O decreto estadual nº 55.751, de 10 de outubro de 2026, tem validade de 180 dias e considera o agravamento das condições climáticas, incluindo a influência do fenômeno El Niño, a redução das chuvas e as temperaturas acima da média.
A medida prevê a integração dos órgãos estaduais para intensificar as ações de combate aos incêndios florestais e aos focos de queimadas nos municípios mais afetados.
Qualidade do ar suspende aulas em Manaus
Na capital amazonense, a Prefeitura de Manaus, por meio da Secretaria Municipal de Educação (Semed), manteve suspensas as atividades escolares nesta terça-feira (13), diante da permanência dos índices críticos de poluição atmosférica.
De acordo com o boletim de monitoramento divulgado na segunda-feira (12), a concentração média de partículas finas (MP2,5) chegou a 135 microgramas por metro cúbico (µg/m³), nível classificado como “péssimo”. O levantamento também apontou alto risco de agravamento das condições atmosféricas.
Segundo as informações divulgadas pelas autoridades, a fumaça que atinge a capital é proveniente de queimadas em municípios do interior do Amazonas, principalmente nas regiões Leste e Metropolitana, além de outros estados.
A suspensão tem caráter preventivo e busca reduzir a exposição de estudantes, professores e demais profissionais da educação à fumaça. Na sexta-feira (9), as aulas da rede municipal também haviam sido suspensas devido à qualidade do ar.
Rede estadual suspende aulas pela manhã
A Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar (Seduc) também anunciou a suspensão das aulas do turno matutino nas escolas estaduais de Manaus nesta terça-feira (13).
A decisão considera a maior intensidade da fumaça no período da manhã. Para os turnos vespertino e noturno, a secretaria informou que a situação seria reavaliada ao longo do dia, conforme o monitoramento das condições locais.
As equipes gestoras das unidades de ensino acompanham a qualidade do ar e comunicam às coordenadorias distritais e regionais eventuais situações que exijam medidas específicas, como a redução do tempo de aula ou a suspensão das atividades.
As orientações seguem a Nota Técnica Conjunta nº 22/2026, da Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) e da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas – Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP), publicada em 7 de agosto de 2026.
Entre as recomendações estão a redução do tempo de exposição à fumaça, a suspensão de atividades físicas e pedagógicas ao ar livre e a permanência em ambientes internos, ventilados ou climatizados, sempre que possível. A orientação também prevê atenção especial a estudantes e profissionais que apresentem sintomas associados à exposição.
Emergência prevê ações de combate aos incêndios
O decreto estadual estabelece a atuação integrada dos órgãos públicos para planejar, acompanhar e executar medidas de combate ao fogo, assistência à população e recuperação das áreas atingidas.
A coordenação dos trabalhos ficará a cargo do Comitê Permanente de Enfrentamento a Eventos Climáticos e Ambientais (Copec).
Entre os fatores considerados para a declaração de emergência estão a estiagem severa, as chuvas abaixo da média, as temperaturas elevadas e os riscos à saúde provocados pela fumaça das queimadas.
Uma nota técnica da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) também aponta preocupação com os efeitos da estiagem nas regiões Sul e Metropolitana de Manaus.
Governo federal apoia ações no Amazonas
O reconhecimento federal da situação de emergência permite integrar as medidas de enfrentamento aos incêndios executadas pelos governos estadual e federal.
As ações federais devem reforçar as iniciativas estaduais já desenvolvidas por meio da Operação Amazonas Mais Verde, iniciada em maio, com foco na prevenção e no combate às queimadas.
Enquanto as equipes atuam para conter os incêndios, as autoridades mantêm o monitoramento das condições atmosféricas e recomendam que a população reduza a exposição à fumaça, principalmente crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias.

