Para você que ama um peixe assado ou cozido, um alerta: o tambaqui , uma das espécies mais consumidas no Amazonas, passou a integrar oficialmente a lista de espécies da fauna ameaçadas de extinção no Brasil. A espécie foi classificada como “Vulnerável” (VU), categoria que indica risco alto de extinção na natureza.
A classificação considera fatores como a redução dos estoques naturais, a pressão da pesca e o uso de recursos aquáticos. A avaliação foi realizada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e incorporada à Lista Nacional Oficial de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção – Peixes e Invertebrados Aquáticos, reconhecida pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) por meio da Portaria GM/MMA nº 1.667, de 27 de abril de 2026.
Embora a inclusão na lista oficial do MMA tenha ocorrido em 2026, o tambaqui já era classificado como Vulnerável pelo ICMBio desde 4 de setembro de 2023. Na avaliação nacional anterior, realizada em 2014, a espécie era considerada Quase Ameaçada (NT).
Redução da população
A ficha técnica do ICMBio aponta tendência de declínio populacional. Uma das análises estima uma redução de 43,4% da população global em três tempos geracionais. O documento considera que cada geração do tambaqui corresponde a aproximadamente 22 anos.
O peixe é amplamente utilizado na piscicultura e também na pesca comercial e de subsistência. Segundo o ICMBio, a espécie já esteve entre as dez mais exploradas na região Amazônica.
Apesar da preocupação com os estoques naturais, a ficha do órgão informa que quase todo o tambaqui comercializado em feiras, mercados e frigoríficos de Manaus é proveniente de piscicultura, e não da pesca nos rios.
O que significa “Vulnerável”?
A classificação de risco de extinção utilizada pelo ICMBio possui oito categorias:
- Extinta (EX): não há dúvida de que o último indivíduo morreu;
- Extinta na Natureza (EW): sobrevive apenas em cativeiro ou cultivo;
- Criticamente em Perigo (CR): risco extremamente alto de extinção na natureza;
- Em Perigo (EN): risco muito alto de extinção na natureza;
- Vulnerável (VU): risco alto de extinção na natureza;
- Quase Ameaçada (NT): próxima de atingir os critérios de ameaça;
- Menos Preocupante (LC): população abundante e segura no momento;
- Dados Insuficientes (DD): não há informações suficientes para avaliar o risco.
Portanto, a classificação como Vulnerável não significa que o tambaqui esteja prestes a desaparecer, mas indica que a espécie enfrenta um nível significativo de risco e precisa de medidas de conservação.
Especialista vê classificação como alerta
Para o professor e biólogo Edinbergh Caldas de Oliveira, a classificação representa mais um alerta para a conservação da espécie. Segundo ele, ainda não existem dados estatísticos suficientes para apontar com precisão quais locais apresentam redução no número de tambaquis ou para dimensionar o volume de desembarques da espécie nos rios.
O especialista explica que a avaliação considera principalmente áreas que não estão protegidas por Unidades de Conservação (UCs) federais e estaduais ou outras reservas. Essas regiões correspondem a uma parcela significativa do território amazônico e estão mais sujeitas à pressão da pesca e à degradação dos ambientes naturais.

