Quarenta e dois trabalhadores foram resgatados de condições análogas à escravidão no Amazonas durante a Operação Resgate VI, realizada entre os dias 6 e 19 de agosto de 2026. As fiscalizações ocorreram em obras da construção civil e em um canil de Manaus.

Segundo a Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), foram identificadas situações como jornadas exaustivas, condições degradantes, falta de registro formal e riscos à saúde e à segurança dos trabalhadores.
Em uma das obras fiscalizadas, 16 trabalhadores estavam em um canteiro com o portão trancado e trabalhavam a mais de 10 metros de altura sem equipamentos de proteção contra quedas. Em outro local, 24 trabalhadores cumpriam jornadas superiores a 24 horas e acumulavam até 150 horas extras em apenas um mês.
Em todo o país, a Operação Resgate VI resultou no resgate de 479 trabalhadores, sendo 75 mulheres. Entre as vítimas, 13 eram crianças e adolescentes e 66 eram migrantes de países como Argentina, Uruguai, Paraguai, Bolívia, Venezuela, Burkina Faso, Senegal e Guiné-Bissau.
A força-tarefa realizou 231 ações fiscais em agosto e contou com a participação do Ministério Público do Trabalho (MPT), Ministério Público Federal (MPF), Defensoria Pública da União (DPU) e Polícia Federal (PF).
Minas Gerais concentrou o maior número de trabalhadores resgatados, com 208 casos. São Paulo teve 58 e o Amazonas apareceu na terceira posição, com 42 trabalhadores retirados de condições análogas à escravidão.
As ações ocorreram principalmente no meio rural, responsável por 57,5% das fiscalizações e 292 resgates. Na área urbana, foram 178 trabalhadores resgatados.
Entre as atividades com maior número de vítimas estão a construção em geral, com 85 trabalhadores, o cultivo de café, com 53, cebola, com 47, e batata-inglesa, com 44.
Os empregadores foram obrigados a interromper as atividades e regularizar os contratos de trabalho, além de pagar mais de R$ 1,4 milhão em verbas trabalhistas e rescisórias. Os trabalhadores também receberam o seguro-desemprego especial, correspondente a seis parcelas de um salário mínimo.
Durante a operação, foram identificados ainda 1.192 trabalhadores sem registro. Aproximadamente 1.836 autos de infração serão lavrados por irregularidades trabalhistas, incluindo trabalho infantil, informalidade e descumprimento de normas de saúde e segurança. Também foram determinadas 28 interdições ou embargos por grave e iminente risco.
O MPT firmou três termos de ajuste de conduta e ajuizou quatro ações civis públicas. Os valores de dano moral coletivo chegaram a R$ 455,5 mil, enquanto o dano moral individual totalizou R$ 675,5 mil.
Denúncias
Denúncias de trabalho análogo à escravidão podem ser feitas de forma remota e sigilosa pelo Sistema Ipê, da Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), em parceria com a Organização Internacional do Trabalho (OIT).
Fonte: Agência Gov

